Game of Thrones S05E01 – The Wars to Come | Review

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Se tem uma coisa que Game of Thrones soube desenvolver muito bem foi equilibrar o ritmo com que lida com suas múltiplas narrativas e personagens. É admirável ver a série inaugurando seu quinto ano com um episódio tão consistente quanto este The Wars to Come, que não apenas apresenta de maneira eficaz os temas que deverão permear a história nesta temporada como ainda traz eventos de peso significativo o bastante para evitar que o espectador tenha aquela sensação modorrenta de início de temporada, coisa com a qual já sofreu no passado.

Muito disso se deve ao fato da série ter se livrado da obrigação de seguir estritamente os livros e ter se tornado uma adaptação, digamos assim, mais flexível. Isto com certeza deu uma liberdade muito maior para os seus roteiristas poderem desenvolver os arcos da série de maneira mais elegante, como é possível perceber logo na abertura deste episódio. Primeiro flashback que a série se permitiu fazer, a cena coloca o foco diretamente em Cersei Lannister, retratando uma profecia sobre seu futuro que certamente atormentou a rainha durante toda a sua vida. Agora mais do que nunca, aliás.

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Tendo que lidar com as consequências da morte do pai, Tywin Lannister, Cersei ao mesmo tempo se vê livre para finalmente comandar a corte de Porto Real sozinha, algo que ela sempre quis, mas também entende que sua posição é bastante vulnerável. Sem a força política do pai, qualquer “aliado” pode ser uma ameaça, e fica mais do que claro que nada traduz mais isso na cabeça da rainha do que a presença de, óbvio, Margaery Tyrell. Não é a toa que Lena Headey muda sutilmente a sua atuação, colocando Cersei com uma expressão sempre apreensiva, além do habitual ar de altivez e desprezo com todos ao seu redor.

Ainda na capital, somos apresentados a uma seita religiosa de caráter radical através do completamente reformulado e até então esquecido Lancel Lannister. Ao pedir “perdão” para a rainha pelos seus pecados do passado e se dizer um “novo homem”, o rapaz mostra um fanatismo imenso que certamente denota um perigo a mais para o já complicado panorama político que tem na figura juvenil de Tommen um governante de pouca expressão.

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Para além do Mar Estreito, vemos Tyrion chegar à Pentos dentro de uma desconfortável caixa (sensação claustrofóbica que a cena faz questão de retratar ao literalmente nos colocar junto do personagem logo antes deste sair). Fugitivo amargurado, o anão está perdido e sentindo o peso dos seus atos. Cabe a Varys tentar trazer a motivação do Lannister de volta, e pela primeira vez vemos a Aranha falando abertamente dos seus objetivos no Jogo dos Tronos: colocar Daenerys Targaryen no trono de ferro.

Falando na Mãe dos Dragões, as coisas não andam nada bem para os lados de Mereen. Contando com aquelas cenas que certamente são as que mais demandaram dos efeitos especiais, este núcleo volta a dar as caras numa cena magnífica que introduz o conflito com os chamados Filhos da Harpia ao mesmo tempo em que volta a retratar com sensibilidade o drama dos Imaculados. E como se já não bastasse enfrentar as dificuldades de governar uma cultura que não entende, Dany ainda tem que lidar com a rebeldia dos seus dragões, que avançam incontroláveis e cheios de cólera para aquela que um dia já foi sua “mãe”. E, como diz Daario Naharis, “uma rainha dragão sem dragões não é uma rainha de verdade.”

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Retornando a Westeros, as cenas envolvendo Sansa e Mindinho pouco fazem além de nos reapresentar àquela estranha relação entre os dois. Mesmo apresentando uma maturidade maior, a menina Stark pouco pode fazer além de abraçar a parceria com seu “tutor”, e quem pode confiar completamente em Petyr Baelish? De igual modo, Brienne e Podrick também pouco acrescentam para o episódio, e talvez sejam o ponto mais fraco deste, pois dependem de uma coincidência enorme para que sua história possa ter algum prosseguimento. Designada com uma missão que parece não ter futuro nenhum, é na donzela de Tarth (e talvez no arco de Jaime Lannister mais para frente) onde provavelmente veremos as mudanças mais drásticas da série em relação ao seu material original. Esperemos que haja algo com mais substância a ser apresentado.

Situação completamente oposta acontece no Norte. Tendo num mesmo ambiente a Patrulha da Noite, a família e as tropas de Stannis (finalmente evocando a autoridade que deve!), Melisandre e o Povo Selvagem, a Muralha vira um verdadeiro abrigo de múltiplas tensões e interesses, e é lógico que no epicentro de tudo está o nosso bastardo Jon Snow. Aqui cabe um elogio à performance de Kit Harington. Ainda que mantendo a sua habitual expressão de sempre (vocês sabem, esta aqui), posso dizer que pela primeira vez ele realmente me convenceu de todas as nuances que suas cenas deveriam passar, indo do desconforto com a presença feminina (e ruiva) da feiticeira vermelha, a diplomacia com a dureza do rei até a relação complexa de mútua admiração com Mance Rayder, o que é importantíssimo para que o inesperado desfecho do episódio funcione.

Aliás, o fato de termos visto o Rei-Para-Lá-da-Muralha tão poucas vezes e ainda assim seu fim ser tão impactante só demonstra o imenso talento de Ciarán Hinds, que aqui encerra sua discreta participação na série mostrando um retrato de um homem obstinado e decidido, mas também humano e vulnerável. E seu terror ao encarar as terríveis chamas nos causa tanta aflição que a flecha atirada representa não apenas um alívio para ele, mas também para nós.

Obrigado, Jon Snow. E seja muito bem vinda de volta, Game of Thrones. Estávamos com saudades.

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2 comentários

  1. Todos na torcida para que a Sansa Stark pague peitinhos nessa temporada, já que a Dany virou a senhora pudica.
    Uma pena mesmo as mudanças drásticas no arco da Brienne (drásticas além da conta, diga-se). Pelo visto ela vai ficar avulsa nessa temporada.
    Chega de dragões, chega de Porto Real, chega de Dorne. Queremos a solução da traição do Casamento Vermelho. Viva o Norte!

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