Game of Thrones S05E02/S05E03 – The House Of Black And White / High Sparrow | Review

Got Black and White Ao escrever sobre a estreia desta temporada, comentei que Game of Thrones ao se permitir tomar mais liberdades em relação à fonte dos livros teria ganhando melhor dinamismo e ritmo para conduzir sua história. Após assistir os dois episódios subsequentes, começo a crer que este feito pode ir mais além. Seria possível que, ao enxugar os inúmeros arcos narrativos e economizar personagens, a série consiga encontrar uma maneira melhor de contar a saga de George R R Martin?

Iniciando com a personagem de maior peso que ficou faltando abordar na semana anterior (e não à toa cujo arco batiza o capítulo), The House of Black and White logo nos traz Arya finalmente chegando em Braavos (meu cenário favorito da série). E ainda que postergue para o capítulo subsequente a entrada da pequena na misteriosa Casa do Branco e Preto do título, este nos brinda com a surpresa da volta de Jaqen H’gar, ops, quero dizer, ninguém. Pois os termos para se transformar num Homem sem Face é justamente abdicar-se da própria personalidade, tornar-se pessoa alguma. Preço alto demais para a pequena Stark, como nos mostra a comovente cena onde ela não consegue abrir mão completamente da posse da sua espada Agulha. Arya precisará de se lembrar de quem é para levar a cabo sua vingança, eis aí o seu dilema. GoT Dorne Voltando ao segundo episódio, temos também a apresentação de outro cenário belíssimo: a alardeada Dorne, sempre citada e até então nunca mostrada pela série. E aqui percebe-se o movimento mais ousado dos roteiristas em relação aos livros. A atitude de fazer Jaime ir em busca de Myrcella, tendo o apoio de Bronn (que rende aqui uma cena um tanto descartável, mas ainda divertida), é terreno completamente novo (e promissor!) para a narrativa da série.

Outra atitude inovadora é trazer Ellaria Sand no papel que seria de Arianne Martell ao confrontar o Príncipe Doran pela morte de Oberyn, e assim fica claro o intuito da série de enxugar ao máximo o conteúdo da história ainda se mantendo fiel em determinado grau (neste caso, reaproveitando um personagem já apresentado ao invés de optar por introduzir um novo). E o talento de Indira Varma tem sua chance de aparecer aqui em sua fúria e sede de vingança contra os Lannisters. Aguardemos mais sobre Dorne no futuro. Got Daenerys Do outro lado do mundo, Daenerys segue tendo dores de cabeça em Mereen. A rainha dos dragões que não controla mais seus dragões (será?) mancha a sua imagem perante os ex-escravos ao ser forçada pelas circunstâncias a executar um dos seus. Resultado da completa inabilidade política de Dany, que parece acreditar que vai dobrar as tradições de uma cultura que não entende na marra. Neste núcleo a série ganha dos livros simplesmente por não nos obrigar a acompanhar toda esta trama com os olhos terrivelmente adolescentes da personagem, o que fortalece consideravelmente a narrativa.

O curioso é descobrir, agora já no terceiro episódio, através das andanças de Tyrion e Varys por Volantis o quanto a fama da ex-khaleesi tem se propagado pelas terras de Essos, sendo esta um símbolo de liberdade para os escravos de todo o continente. Daenerys é chamada de Libertadora por uma enigmática profetisa de R’hllor (o deus do fogo de Melisandre), que se mostra uma presença tão interessante na tela que me faz desejar vê-la novamente mais à frente. Falando sobre o anão, este segue amargurado pelo passado, sendo incapaz mesmo de se divertir como antes (para sua própria surpresa), mas parece que agora o que mais atormenta Tyrion é mesmo o tédio da viagem, e é irônico que logo na primeira escapulida o anão entre em apuros ao cair nas mãos de um velho conhecido do público.Got Jon Retornando à Westeros, o núcleo que sem dúvidas mais tem se destacado neste início de temporada é mesmo a Muralha, que segue ganhando relevância episódio a episódio. Num primeiro momento temos Jon Snow tendo que lidar com a tentadora oferta de Stannis de ser enfim um Stark de verdade, e esses dois tem construído uma dinâmica cada vez mais interessante. Tendo decidido declinar por motivos éticos (afinal estamos falando do bastardo de Ned Stark), Jon é surpreendido ao ser eleito Comandante da Patrulha da Noite, numa eleição apertadíssima que por si só já denuncia a divisão de interesses que ele terá de enfrentar no posto.

E não demora muito. Já em High Sparrow o novo comandante precisa responder implacavelmente a insubordinação de um de seus rivais, o covarde Janos Slynt. Demonstrando ter aprendido a lição com seu pai (lembremos do velho Ned na primeira temporada, “o homem que dá a sentença deve brandir a espada”), Jon executa o rebelde, num elegante momento de contraste da série com as ações da Targaryen do outro lado do oceano. Lá, uma sentença de morte significa perda de poder político, aqui, ganho.Got Sansa Ainda no Norte, vemos as maquinações de Mindinho ao jogar Sansa nas mãos de Roose Bolton e, pior ainda, ser prometida a se casar com o sanguinário Ramsay. Outro movimento bastante ousado da série em relação aos livros, felizmente o roteiro nos consegue convencer das razões para isso. E ver uma Stark retornando à Winterfell, ainda que nessas circunstâncias, certamente trouxe algum acalanto para os fãs, algo que a linda cena onde uma camareira saúda a filha de Ned certamente ressaltou. O Norte se lembra.

No encalço da garota mesmo depois de ter sido recusada pela mesma, Brienne e Pod continuam com sua relação cavaleiro/escudeiro que remete claramente aos Contos de Dunk e Egg do romance O Cavaleiro dos Sete Reinos. E se temos nesse diálogo a chance de conhecer melhor o passado da dama de Tarth, bem como mais uma vez o reforço de sua convicção em vingar a morte de Renly (e imagino que não seja à toa que a série está colocando – por conta própria! – esta personagem no caminho para o Norte, justamente onde Stannis está), não deve ser difícil para quem já leu A Dança dos Dragões adivinhar qual será o papel reservado a eles em Winterfell, considerando os acontecimentos até agora, neste curioso troca-troca feito por Game of Thrones (isso não é spoiler gente, só estou conjecturando). Got Cersei vs MargaeryFinalmente chegando a Porto Real, a rivalidade entre Cersei e Margaery fica cada vez mais clara … e dissimulada também. As duas rainhas travam uma verdadeira guerra de influências envolvendo o ingênuo Tommen. Se por um lado o pequeno rei ainda respeita a vontade da mãe, por outro ele está sendo literalmente seduzido e manipulado pela esposa (numa cena um tanto controversa, vale lembrar que Dean-Charles Chapman, intérprete do personagem, ainda é menor de idade).

Mas o fato é que por ora quem está dando as cartas ainda é Cersei Lannister. E a rainha-mãe parece estar se cercando de aliados um tanto duvidosos (algo questionado inclusive pelos membros do conselho), como o misterioso Qyburn e seus estranhos experimentos. E se o personagem que nomeia o episódio aparece como um humilde e cordial senhor, o fato é que seus pardais já estão voando livres e soltos por aí impondo sua visão de mundo para toda a sociedade (uma coisa típica de religiosos radicais, aliás). Algo que a leoa parece até ver com bons olhos.

E se considerando o cenário de vácuo de poder, uma coisa é certa. Fanatismo religioso ganhando força não é bom sinal. O quão alto este Alto Pardal irá voar?   GoT High Sparrow Leia mais sobre Game of Thrones

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