Top 20 | Os filmes que ninguém entendeu

Geralmente, um dos principais critérios para se avaliar um filme é a clareza de seu roteiro e a maneira como ele desenvolve uma história de forma que o público consiga acompanhá-la sem muitos problemas. Isso, é claro, não é nenhuma regra, ainda mais em filmes que fogem dos padrões comerciais. Na verdade, muitos longas se divertem em deixar que o espectador tire as próprias conclusões ou mesmo em confundi-lo a ponto de não fazer ideia do que está vendo.

A seguir, listamos 20 filmes com narrativas difíceis ou impossíveis de entender, cujo maior mérito é deixar que as pessoas se percam em sua própria loucura. Quanto mais WTF, mais alta a posição na lista.

20 – Amnésia (2000) – Christopher Nolan

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O segundo longa dirigido por Christopher Nolan, e que ajudou a tornar seu nome notório, é uma história bastante direta, mas mostrada de forma não-linear. Parte das cenas é contada de trás para frente e outra parte em ordem cronológica. A estrutura reflete o estado mental do protagonista, vivido por Guy Pearce, que tem amnésia retrógrada e é incapaz de formar novas memórias após um evento traumático. Embora seja possível entender a narrativa conforme o filme avança, qualquer lapso de desatenção pode custar muito caro. Nolan tem outros exemplos de filmes confusos em sua carreira, como A Origem e Interestelar, mas este continua sendo o que usa menos exposições e explicações mirabolantes para cada pequeno detalhe.

19 – O Predestinado (2014) – Peter e Michael Spierig

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Quem veio primeiro: o ovo ou a galinha? O quarto filme dos irmãos gêmeos Spierig traz Ethan Hawke como um agente temporal que viaja no tempo com o objetivo de evitar grandes catástrofes, fazendo com que elas nunca venham a se concretizar. As diversas idas e vindas no tempo fazem com que o espectador perca a noção de início, meio e fim da história. Assim, em diversos momentos as revelações chegam a explicar algo, mas logo depois criam outras dezenas de perguntas. O grande destaque do filme, no entanto, é Sarah Snook, que se torna uma chave essencial para a formação do paradoxo da predestinação.

18 – Mistérios e Paixões (1991) – David Cronenberg

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Baseado em um livro e em parte da carreira de William S. Burroughs, famoso por ter feito experimentos durante anos com diferentes tipos de drogas, o filme conta a história do “exterminador” William Lee (Peter Weller), que passa a maior parte da história sob o efeito de substâncias que alteram seu estado de consciência. Apesar de a narrativa ser compreensível de seu próprio jeito peculiar, é a série de eventos cada vez mais bizarros (envolvendo uma máquina de escrever que se transforma em um inseto falante e uma rotina fatal de tiros copiada dos feitos de Guilherme Tell) que acabam por confundir o espectador e fazer com que ele se sinta dentro de um universo do qual não conhece as regras.

17 – Sob a Pele (2013) – Jonathan Glazer

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Embora o público tenha uma vaga ideia do que está assistindo, é difícil ter certeza do que esta estranha ficção científica tenta nos dizer. Isso porque os detalhes da trama não são tratados verbalmente em momento algum e precisamos descobrir o que está acontecendo apenas através de imagens. O filme é, aparentemente, a história de uma alienígena (Scarlett Johansson) que veste a pele de uma humana para atrair sexualmente e se alimentar de homens. Em meio a passagens oníricas e plasticamente lindas, ela começa a entrar em contato com o conceito de humanidade e a tentar compreendê-lo. Ao final do filme, muitas coisas ficam no ar e sujeitas a intepretação.

16 – 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968) – Stanley Kubrick

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A história pode não ser difícil de acompanhar, mas o filme possui diversos elementos que não são explicados. Qual a razão para a existência do monolito, que aparece sempre que a humanidade dá algum grande salto evolutivo? Por que um robô é capaz de ter mais emoções que qualquer humano em cena? Qual é a explicação para a sequência final, quase psicodélica, quando o astronauta Bowman (Keir Dullea) finalmente entra em contato com o monolito? E o que diabos é aquele bebê?

15 – Donnie Darko (2001) – Richard Kelly

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Um dos filmes mais WTF da lista é também um dos mais cultuados pelos fãs e um dos que possuem mais teorias para explicar sua narrativa complexa e circular, envolvendo viagens no tempo, buracos negros, uma turbina de avião e um coelho macabro. A versão estendida do diretor e roteirista Richard Kelly é um pouco mais fácil de entender (mas só um pouco), pois apresenta melhor a teoria científica por trás da narrativa.

14 – Sinédoque, Nova York (2008) – Charlie Kaufman

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É verdade que Charlie Kaufman poderia ter uns três ou quatro filmes nesta lista. Seu primeiro e único longa como diretor até agora, no entanto, acabou ficando com a vaga por ser uma metáfora ao mesmo tempo bem humorada e deprimente sobre a vida, em que realidade e ficção se misturam na mente de um diretor de teatro, a ponto de ser impossível distinguir uma coisa da outra.

13 – Vício Inerente (2014) – Paul Thomas Anderson

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Há tantos personagens e tantas tramas e subtramas em Vício Inerente que é praticamente impossível saber qual mistério o detetive particular “Doc” Sportello (Joaquin Phoenix) está tentando solucionar, quanto mais quem fez o que, quem está aonde e por quê. A dica, portanto, é entrar nesse labirinto de personagens excêntricos de coração aberto, pois essa viagem pode ser bastante divertida. Não tente, no entanto, encontrar nenhuma resposta ou mesmo descobrir quais são as perguntas.

12 – Holy Motors (2012) – Leos Carax

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Um homem roda pela cidade dentro de uma limusine branca durante todo um dia, vivendo papéis diferentes em diversas situações que pouco ou nada têm a ver umas com as outras. É possível interpretar a história como uma alegoria sobre a vida do ator, que circula entre personagens sem nunca se ancorar em nenhum deles. Essa, porém, é apenas uma teoria, já que o filme em momento algum revela seu significado.

11 – À Beira do Abismo (1946) – Howard Hawks

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Quando o diretor Howard Hawks perguntou a Raymond Chandler, autor do livro que deu origem ao filme, quem havia matado um dos personagens, sua resposta foi: “Não faço ideia”. Esse é realmente o espírito de À Beira do Abismo, uma trama noir extremamente complicada em que, como em todas as histórias de Chandler, os personagens têm muito mais importância que a narrativa à sua volta, neste caso incompreensível.

10 – Quando Duas Mulheres Pecam (1966) – Ingmar Bergman

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O filme, além de trazer às telas uma das mais indecifráveis relações entre duas mulheres da história do cinema, ainda começa com uma das mais fantásticas e ininteligíveis cenas de abertura possíveis. Não bastasse isso, o longa usa todas essas referências para trazer à tona os conflitos e dificuldades da própria atividade do cineasta, com os desafios de Bergman se misturando aos de suas personagens, cujas identidades se confundem cada vez mais.

9 – Primer (2004) – Shane Carruth

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Na internet, é possível encontrar gráficos imensos que explicam as muitas linhas do tempo diferentes que existem neste filme, no qual dois amigos constróem uma máquina do tempo. Como o longa não faz distinção visual ou narrativa alguma entre essas diversas realidades, se torna uma tarefa impossível entendê-lo sem ajuda. Agora, se você tem um interesse mórbido em compreender tudo, o melhor é pegar um desses gráficos e tratar de ir pausando o filme a cada dois minutos para se situar.

8 – O Homem Duplicado (2014) – Denis Villeneuve

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Adaptar uma obra de Saramago por si só já não é uma tarefa fácil, ainda mais quando você decide contar a história de uma forma não-linear e cheia de alegorias. Tudo começa quando o professor universitário Adam Bell (Jake Gyllenhaal) descobre, ao assistir a um filme, que é idêntico a um dos atores. Isso se torna uma verdadeira obsessão, que o leva a persegui-lo. O diretor Denis Villeneuve desde o início impõe um clima de suspense que perdura por todo o filme. Na internet, você pode encontrar diversas teorias que tentam explicar o enredo e as metáforas do filme. O que são as aranhas? Adam e o ator Anthony são a mesma pessoa? Qual a ordem correta dos fatos? A resposta, é claro, vai depender de sua interpretação. Aqui não há certo ou errado.

7 – O Ano Passado em Marienbad (1961) – Alain Resnais

Last Year at Marienbad. Photo Courtesy Rialto Pictures.

A sinopse de O Ano Passado em Marienbad começa assim: “Em um encontro social em um castelo ou hotel barroco, um homem se aproxima de uma mulher. Ele diz já tê-la encontrado no ano anterior em Marienbad e está convencido de que ela está lá esperando por ele.” A partir dessa premissa, o cineasta Alain Resnais faz mudanças de tempo e lugar, insere flashbacks sem muita coerência narrativa e conversas e acontecimentos que se repetem sem explicação. É difícil saber o que está acontecendo, mas se trata de uma jornada intrigante de qualquer forma.

6 – A Cor da Romã (1969) – Sergei Parajanov

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Possivelmente o mais artístico e hermético filme de arte já feito, A Cor da Romã é a reconstrução da vida do poeta armênio Sayat-Nova. A questão é que esta não é uma biografia literal, e sim contada através de símbolos e poesia visual, com todas as cenas baseadas em miniaturas iluministas. O resultado: é difícil entender qualquer coisa sobre a vida do poeta, mas é fácil ficar hipnotizado pelo belíssimo senso estético do filme.

5 – O Espelho (1975) – Andrei Tarkovsky

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Andrei Tarkovsky não é exatamente o cineasta que faz os filmes mais fáceis do mundo. São longas vagarosos, visualmente maravilhosos, e narrativa e emocionalmente complicados. Em O Espelho, o que confunde é a estrutura não-linear, que mescla lembranças, sentimentos e acontecimentos atuais da vida do protagonista, sem um roteiro muito convencional como recurso para nortear o público.

4 – A Montanha Sagrada (1973) – Alejandro Jodorowsky

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Os filmes do chileno Alejandro Jodorowsky apresentam elementos fantásticos, geralmente tratados com uma abordagem surrealista esteticamente bela e com dispersões filosóficas complexas. A Montanha Sagrada é seu experimento mais radical e incompreensível, repleto de simbolismo e no qual trata de alguns de seus temas preferidos, como religiosidade, a criação de mitos e paganismo.

3 – Império dos Sonhos (2006) – David Lynch

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Após brincar frequentemente com a falta de estrutura dos sonhos em filmes como Cidade dos Sonhos e Veludo Azul, esta é certamente a obra mais hermética de David Lynch. Se todos seus outros filmes tinham alguma narrativa, mesmo que de difícil compreensão, este mostra uma série de cenas desconectadas, quase como se estivéssemos assistindo ao que se passa dentro da mente de alguém que dorme, pulando de um sonho (ou pesadelo) a outro sem nenhuma distinção. A sequência que simula um programa com coelhos dentro de uma sala de estar acabou ficando famosa entre os cinéfilos.

2 – Adeus à Linguagem (2014) – Jean-Luc Godard

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O título diz tudo. O experimento mais radical de Jean-Luc Godard leva a cabo o que o cineasta já vinha ensaiando há algum tempo. Ao romper quase completamente com as estruturas de linguagem que conhecemos, ele conta uma história relativamente simples sobre um casal de amantes e um cachorro, de forma que cada cena é tão fora do convencional que dispensa praticamente toda e qualquer regra narrativa. Apesar disso, o filme consegue ser uma experiência bastante interessante para quem tem um pouco de paciência.

1 – Um Cão Andaluz (1929) – Luis Buñuel

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O curta-metragem que lançou o surrealismo no cinema, um dos movimentos artísticos mais importantes da história, é uma mistura de sequências de sonho que parecem não ter ligação alguma umas com as outras.Como o filme tinha o objetivo de representar a aleatoriedade e falta de lógica do inconsciente humano, não há exatamente muito a se entender, embora as imagens continuem visualmente impactantes, surpreendentes e desafiadoras até hoje.

11 comments

  1. Oi Anderson,
    Eu li o livro 2001 do Arthur c clark e me ajudou bastante a entender, pelo menos acho q entendi!
    O monolito no livro na verdade apontava para uma lua de saturno e lá outro apontava para um buraco negro. O astronauta descobre q se trata de uma civilizacao muito mais avançada q a nossa que evoluiu tecnologicamente até se fundir com o espaço-tempo para permanecer existindo. Então ele entra num buraco, como se fosse um buraco negro, mas na verdade ele passa por um processo em que ele passa a fazer parte do do tecido do espaço-tempo, estando em todos os lugares e tempos continuamente, e ao mesmo tempo com consciência de tudo, como se fosse o demônio de la place. Por isso no filme tem aquela viagem alucinante depois de chegar a jupiter. Penso que é uma forma de expressar essa idéia através de efeitos visuais.
    Já o feto penso que é uma forma de metaforizar a nossa existência como civilizacão se aventurando através de viagens espaciais, como um feto ligado a mãe Terra pelo cordão umbilical, extremamente dependente do seu planeta de origem, incapaz de ir muito longe… Um feto se comparado à civilizaçào descrita no parágrafo anterior!
    Por fim, valeu pela lista! Além desse, vi 12 macacos e amnésia, ambos agradáveis, e o primeiro particularmente interessante e emocionante… Dos outros da lista vc recomenda algum…? Pois, frequentemente filmes intrigantes são chatos ou com uma soluçào trivialmente desagradável…
    Att

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