Em Ritmo de Fuga | Crítica

O Cinelogin está em plena semana de aniversário, na qual sempre escrevemos artigos especiais sobre nossa paixão: o cinema. Curiosamente, para escrever esta crítica justamente nessa semana, fui procurar nosso especial de 2014, quando discutimos a crise criativa de Hollywood e exaltamos os diretores autorais, aqueles que criam suas próprias histórias originais e não abrem mão de seus estilos.

E eis que nosso artigo sobre Edgar Wright, o diretor e roteirista de Em Ritmo de Fuga (originalmente Baby Driver – é impressionante como conseguem deixar todos os filmes do Wright com nome de besteirol aqui no Brasil) saiu exatamente três anos atrás, no dia da estreia deste seu mais novo sucesso. Coincidências à parte, assistindo ao filme percebemos claramente a diferença que é a sensação de assistir a uma obra autoral, artística, extremamente bem produzida às intermináveis sequências, remakes e reboots que assolam Hollywood. Dê graças ao universo pela Marvel ter chutado Wright de Homem-Formiga, assim ele pôde fazer essa joia!

Em Ritmo de Fuga conta a trajetória de Baby (Ansel Elgort, um talento promissor), um rapaz que perdeu os pais num acidente de carro ainda criança e desenvolveu um talento para a direção como ninguém, e acaba na mira de Doc (Kevin Spacey), mente criminosa que orquestra assaltos mas “terceiriza” sua equipe, que muda a cada roubo. Baby é um bom menino, mas tem uma dívida com Doc, por isso trabalha pra ele. Baby também tem sequelas do acidente que sofreu com os pais, um zunido nos ouvidos que ele abafa com música, aliás, muita música, um Ipod para cada humor.

O título brasileiro do longa parece bobo, mas não deixa de ter uma ligação íntima com o filme, pois as músicas dão o ritmo para cada sequência. Ou seria o contrário? Só sei que Wright e sua equipe criativa devem ter tido um trabalho imenso em encontrar a música certa para cada cena, mas deve ter sido um trabalho delicioso. Em todos os seus longas, Wright fez bom uso da música e sua forma de montagem dos cortes é sua característica mais marcante. Neste, ele mudou um pouco sua forma de editar, mas continua genial, com destaque para as cenas dos créditos iniciais, que mesmo que não seja um plano sequência de verdade, é orquestrado tão magistralmente que merece um Oscar.

Por vezes, Wright lembra um pouco de Tarantino (outro autor), ecoando Cães de Aluguel e À Prova de Morte, seja em diálogos deliciosamente banais (a confusão com as máscaras usadas num assalto, confundindo Michael Myers de Halloween com Mike Myers de Austin Powers), seja nas sequências eletrizantes de fuga e perseguição. Não à toa agradece seu amigo nos créditos finais do longa.

E assim, com muita música boa, planos sequências incríveis, um roteiro impecável e personagens bem construídos, Edgar Wright constrói sua narrativa e a trajetória do protagonista que culmina em caos e redenção. Se a base da história lembra um pouco a famigerada franquia Velozes e Furiosos, a diferença está no amor pela sétima arte que um autor coloca em sua obra, elevando sua qualidade e provocando na audiência uma sensação, mesmo que seja de puro entretenimento, mas que não acaba assim que passamos da porta de saída do cinema.

Cotação-5-5

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