CL 6 Anos: Jumanji ou como aprender a jogar de acordo com as próprias regras

É engraçado como a memória funciona. Ou não funciona. Bastou dar o play no filme para perceber que eu não me lembrava de nada dos primeiros 15 minutos. Parece estranho, considerando que eu vi e revi Jumanji incontáveis vezes.

Porém, não é nada tão surpreendente se você levar em conta que a grande maioria dessas vezes aconteceu na Sessão da Tarde e que também na maior parte delas peguei o longa já começado. Portanto, seus primeiros 10 ou 15 minutos foram também a janela de tempo a que eu menos assisti.

A Sessão da Tarde tende a pregar essas peças na gente, então eu simplesmente me sentei e relaxei, vendo o indefeso Alan Parrish (Adam Hann-Byrd/Robin Williams) sofrer nas mãos dos colegas adeptos do bom e velho bullying. Aí ele encontra um jogo estranho, decide testá-lo com a melhor amiga e… olha só, já estou de volta nos trilhos.

Há duas coisas que fizeram de Jumanji um dos filmes mais vistos da minha infância. A primeira e mais óbvia delas é a premissa: um jogo misterioso em que cada nova rodada traz elementos bizarros, realistas e potencialmente letais.

O nível de diversão que essa ideia representava para mim (um maluco por jogos de todos os tipos, com preferência inegável pelos de tabuleiro) era incalculável. Para melhorar ainda mais, os desafios eram dados em forma de charada, as quais, é claro, ninguém era capaz de decifrar antes da hora da verdade.

A segunda envolve o próprio absurdo da coisa toda. Um estouro de animais da savana em meio a uma típica cidadezinha americana, uma espécie de inseto desconhecida que causa uma epidemia, uma casa cujo chão amolece feito areia movediça para em seguida endurecer e se dividir ao meio.

Minha parte preferida sempre foi a casa transformada em floresta, porque, secretamente, desejava que a mesma coisa um dia acontecesse comigo. Já imaginou ter as paredes e o teto de onde você vive tomados por árvores, plantas e animais, feito uma selva? Parecia ser o máximo de aventura que alguém pode experimentar.

Tantos anos depois, esse ainda é o tipo de coisa que faz minha excitação aumentar na hora. O problema é que nem todas as outras sobreviveram tão bem. A que desponta logo de cara são os efeitos especiais, dignos de algum jogo vagabundo de vídeo game das gerações mais antigas. Curioso que o filme supostamente deveria ser revolucionário nesse quesito na época. Os macacos ficaram especialmente ruins, imagino que porque são menores e precisam se movimentar mais rapidamente.

As atuações também não são lá muito boas (o menino que faz o protagonista quando jovem é péssimo), mas talvez o maior problema do filme seja a falta de impacto de alguns dos acontecimentos mais escabrosos (o cara quase foi comido por um crocodilo, pelo amor de deus!), aos quais os personagens respondem com uma naturalidade esquisita. Acaba diluindo a força de alguns dos acontecimentos, assim como se impede de desenvolver melhor a relação entre aquelas pessoas.

Enquanto vou digitando tudo isso, também percebo que essa reavaliação do filme não vai ter nenhuma relevância duradoura. O Jumanji que eu conheço foi aquele que vi quando ainda era pequeno, fosse nas sessões da tarde, fosse nos finais de semana, retirado da prateleira gasta da locadora do bairro. A capa da fita vinha em 3D e mudava conforme a posição em que você olhava. Quase tão legal quanto o filme em si.

Então essa revisitada é quase como uma homenagem, em que minha mente escolhe de forma consciente reter o que vale a pena e jogar para o lado aquilo que não interessa. Como um jogo de tabuleiro em que eu não posso perder, porque crio as regras que quiser.

Ah, e dentre tudo que o filme representa para mim, tem uma coisa que definitivamente não mudou. Continuo detestando demais o remake com o The Rock antes mesmo de assistir.

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