Homem-Aranha: De Volta ao Lar | Crítica

Vivemos a Era de Ouro dos filmes de super-heróis, e, sendo a Marvel Studios a líder suprema do gênero, é óbvio que inevitavelmente ela iria querer trazer o Homem-Aranha, seu herói mais popular, de volta ao lar (desculpem o trocadilho, mas estou pouco inspirada para escrever essa crítica).

A briga foi longa, foram anos de discussão com a Sony Pictures, detentora dos direitos do aracnídeo, para que um acordo fosse selado. Acredito até que o primeiro reboot, com os infames O Espetacular Homem-Aranha, foram uma tentativa frustrada de boicotar o estúdio/editora. Deu no que deu, e Andrew Garfield, apesar de estar se dando bem em produções aclamadas, tornou-se o “George Lazenby dos Homens-Aranha”.

E eis que os estúdios finalmente entram num acordo e o novo-novo Homem-Aranha reaparece numa participação especial em Guerra-Civil e agora ganha seu sexto filme-solo. É engraçado logo no começo da projeção vermos primeiro o logo da Sony, um prólogo do filme, e só então o logo da Marvel Studios. Para quem acompanha os pormenores das produções, quase conseguimos imaginar os produtores executivos discutindo quem vai aparecer primeiro nos créditos. Cada nome vale uma pequena fortuna.

Mas vamos ao filme, que eu descreveria como um longa do John Hughes (criador dos clássicos teen dos anos 1980) se ele pudesse ter feito um filme hoje em dia, com a geração Millenial. O tom foi acertado, há ao mesmo tempo uma atmosfera vintage, despretensiosa, mas ainda sim retratando com precisão a juventude de hoje, ao mesmo tempo tecnológica, ultra-conectada, mas com déficit de atenção. E daí vemos cenas que um adolescente vai se enxergar sem nem perceber, quando Peter Parker não consegue assimilar uma informação completa de tanta pressa que tem em resolver tudo.

O lado positivo deste filme é que ele não é uma história de origem, há apenas uma breve citação da aranha que picou Peter Parker, mas já o encontramos após os eventos de Guerra Civil e ele é conhecido como o “Homem-Aranha do Youtube” (nada mais Millenial do que isso). O filme, como disse antes, é despretensioso e divertido, mas perde pelo fator “uau” que os dois primeiros filmes de Sam Raimi tinham, além de outros do gênero.

Um grande acerto foi a escalação: Tom Holland talvez seja o Peter Parker perfeito, pois além de ser um adolescente de verdade (Tobey Maguire e Garfield já estavam com quase trinta anos quando retrataram o personagem), ainda entrega uma atuação precisa e charmosa. Seus coadjuvantes também ajudam, principalmente seu melhor amigo Ned, vivido por Jacob Batalon, que rouba cada cena em que aparece. Já Robert Downey Jr, apesar de ter dominado os trailers, aparece até que pouco, mas sua presença na vida de Peter Parker é tão forte que ficamos esperando o Homem de Ferro aparecer toda que vez o bicho pega.

Um grande problema nos filmes da Marvel são os vilões, mas Michael Keaton conseguiu tirar água de pedra e dar profundidade a seu Abutre, e o clímax, também um ponto fraco do estúdio, acerta ao demonstrar uma qualidade realmente heroica em falta nos filmes de hoje e que vimos recentemente no ótimo Mulher-Maravilha: a compaixão. Homem-Aranha não é mais um super-herói relutante, ele quer mesmo ajudar as pessoas pois é, antes de tudo, um bom menino.

Cotação-4-5

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