Baywatch | Crítica

A onda de remakes que atinge Hollywood há algum tempo chegou a um ponto crítico: inevitavelmente, algumas séries antigas adoradas pelo público, porém de qualidade duvidosa, também estão ganhando suas versões cinematográficas. A fracassada estreia de Power Rangers este ano e agora a deste criticado Baywatch, no entanto, são indicações de que os estúdios talvez devam repensar suas estratégias.

Para começar, é difícil encontrar alguém que ache realmente que o seriado dos anos 90, capitaneado pelo canastrão David Hasselhoff e por Pamela Anderson, era muito bom. De fato, a série chegou a ser a mais assistida do mundo na época, mas o fato é que o público curtia o show mais por sua pouca pretensão, pelos atores e atrizes seminus e pelas narrativas naturalmente ridículas (afinal, estamos falando de um time de salva-vidas que chegou a enfrentar serial killers).

O problema é que isso deu certo na época em parte pela forma como a TV funcionava então, em parte porque o público tinha consciência de estar consumindo entretenimento divertido e passageiro, que não requeria desafios como sair de casa ou gastar dinheiro. Já a transposição para a indústria cinematográfica dos dias atuais não tem ido tão bem.

Falando especificamente do novo Baywatch, uma das principais razões para isso parece ser a autoconsciência exagerada do projeto. Claro que as pessoas por trás do filme sabem da baixa qualidade da série original. A solução para isso foi não apenas colocar em cena diversas esquetes de comédia exageradas, algumas de profundo mau gosto, mas também botar na boca de seus personagens em vários momentos comentários sobre como esse material é brega.

Além do fato de que o humor do filme é particularmente ruim, essa autoconsciência pode funcionar mal com o público se comparada à inocência (que, eu sei, é relativa) do programa original. A falta de interesse pelo filme também pode refletir o fato de que, apesar de seu sucesso, ninguém está exatamente muito nostálgico em relação à série.

Dwayne Johnson nunca foi um ator muito bom, mas mesmo aqui seu carisma é uma das melhores coisas do filme e ajuda a sobreviver às duas horas (sério, pra quê?) de projeção. Zac Efron e Alexandra Daddario também não comprometem. Já o personagem de Jon Bass, que deveria funcionar como um alívio cômico, está constrangedor e sem graça em todas as cenas. Aliás, qual a necessidade de um alívio cômico num filme em que todo mundo deveria ser engraçado?

No fim das contas, a intenção de escancarar de vez a vocação ridícula do material original em uma comédia escrachada não dá certo porque é incapaz de remeter à nostalgia que tanto busca. E também porque, de forma mais direta, o produto é um filme bastante ruim, com um roteiro óbvio, personagens inexistentes e que não consegue arrancar graça de suas muitas situações. Frequentemente, aliás, apela para as cansadas gags com paus, peitos, bundas, somente trocando os tradicionais peidos e cocôs pela gordura que escorre de um cadáver.

Para encerrar, pensei em dizer que Baywatch merecia um filme melhor. Mas talvez não. A série era um produto tão restrito à sua época que o ideal mesmo talvez fosse deixá-lo repousando para sempre ao por do sol em alguma praia da Califórnia de duas décadas atrás.

Cotação-2-5

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