Colossal | Crítica

Se você está procurando por uma sequência indie de “Círculo de Fogo”, passe longe de “Colossal”, novo filme de Anne Hathaway que aborda a aparição de monstros gigantes na Ásia sob um novo prisma. O filme, que foi vendido como comédia pelos trailers, não te faz necessariamente rir, principalmente pela gravidade da situação, mas consegue surpreender ao trilhar um caminho diferente para o gênero.

Hathaway interpreta Glória, uma norte-americana que após ter problemas com a bebida e terminar com o namorado (Dan Stevens), se vê obrigada a largar Nova Iorque e voltar para a sua cidade natal. Lá, ela descobre ser capaz de controlar um monstro gigante que está atacando a cidade de Seul, na Coréia do Sul.

É impossível não fazer uma analogia do surgimento do monstro em Seul e os temas que são abordados durante o filme, não só o alcoolismo de Glória, mas de maneira mais geral, o amadurecimento de jovens adultos. Todos os personagens principais passam por algum tipo de problema, seja o sentimento de fracasso, relacionamento abusivo ou a falta de responsabilidade. Vejam por exemplo como Glória, logo após descobrir ser uma espécie de controle remoto do kaiju decide mostrar aos seus amigos o seu novo truque. Embora ela tenha consciência do que está fazendo, ela simplesmente não liga para as consequências diretas daquele ato.

Apesar de todos esse temas serem abordados, a solução que o filme dá para a história não abarca todos os problemas propostos. Glória é cercada por personagens misóginos, mas a libertação que ela consegue, apesar de eficaz para o clímax do filme, pouco faz em relação à discussão do problema exposto.

O tom cômico do filme dura até o momento em que o roteiro percebe que já tirou leite de pedra. E é aí que as coisas começam a tomar um rumo bem diferente, que pode frustrar quem decidiu ver o filme após assistir aos trailers. Transitando pelo suspense psicológico, Colossal trata, novamente com uma alegoria, situações comuns a relacionamentos abusivos, como a ideia de posse e controle são bem representadas à medida que a insanidade de um dos personagens começa a crescer. Por mais repentina que essa mudança possa parecer, não chega a ser inverossímil.

Entretanto, nem toda escolha feita pelo roteiro se mostra acertada, e a principal delas é tentar dar uma explicação lógica para a situação. O resultado é uma cena embaraçosa que apesar de não destoar do resto do filme, se mostra completamente inútil aos fatos que se decorrem. Apesar disso, Colossal não deixa de ser um filme original que toma uma perspectiva diferente dos filmes de monstros com doses de humor, suspense, drama e ainda sobra espaço pra um pouco de ação.

Cotação-3-5

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