Piratas do Caribe – A Vingança de Salazar | Crítica

Quando o primeiro Piratas do Caribe foi lançado, 14 anos atrás (pois é, já faz esse tempo todo), quase tudo era alegria. Ninguém imaginava que um filme baseado em uma atração de parque de diversões pudesse dar tão certo. O sucesso gigantesco levou a produção a múltiplas indicações ao Oscar, que nunca mais repetiu, e transformou Johnny Depp em um dos maiores (se não o maior) nomes de Hollywood na época.

Em 2017, seria pouco dizer que o cenário mudou. Não só o interesse do público na figura de Depp, que tem colecionado fracassos retumbantes no cinema e até na vida pessoal, despencou vertiginosamente, mas também a franquia como um todo, cujos episódios seguintes conseguiram resultados pífios de crítica, tem começado a soar cada vez mais cansada.

Não ajuda também o fato de Navegando em Águas Misteriosas, quarto longa e primeiro após a saída do diretor Gore Verbinski, ser de muito longe o pior da série. Considerando tudo isso, seria justo dizer que Piratas do Caribe não é mais a franquia amada que já foi um dia. Basta olhar para a pouca empolgação com que este A Vingança de Salazar foi recebido, algo que vem se confirmando também nos frustrantes números de bilheteria.

A boa notícia é que o quinto e possivelmente último filme da saga é uma aventura divertida, ainda que desconjuntada e não tão imaginativa quanto alguns dos primeiros longas. A má notícia, ao menos para os fãs deste universo, é que a franquia já dá sinais tão claros de esgotamento que a produção de um novo filme vem se tornando cada vez mais improvável (apesar da tradicional cena pós-créditos lançando mais um gancho para o futuro).

Para começar, quando o protagonista de sua história é uma das personagens menos interessantes de seu filme, é um caso para se pensar. A performance de Johnny Depp como o pirata Jack Sparrow com o tempo se transformou em uma imensa caricatura que nem mesmo as plateias mais fiéis enxergam com grande entusiasmo.

A adição dos personagens de Kaya Scodelario e Brenton Thwaites à história é bem-vinda e dá novo fôlego a este filme específico, mas não parece haver ali grande material para incursões futuras, como existiu talvez no casal formado por Keira Knightley e Orlando Bloom. Outra questão é que a história dessas pessoas aqui se encerra muito bem, sem deixar grandes pontas soltas.

O maior dos problemas, no entanto, é que os últimos filmes parecem se apequenar na comparação com os primeiros, que já não eram exatamente obras-primas. As grandes e criativas sequências de ação de outros tempos se tornaram cenas de perseguição pouco inspiradas, que, apesar de eficientes, perderam o componente de divertida loucura que um dia tiveram.

Hollywood tem um sério problema para saber a melhor hora de parar, mas parece estar chegando o momento de também a indústria se curvar sob o peso das evidências. Tudo indica que o filme fará menos dinheiro que os anteriores, única tendência que Hollywood não tem o costume de ignorar.

Cotação-2-5

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