Master of None | 2ª Temporada

“Master of None” compõe hoje o rol de melhores séries originais da Netflix, e embora ainda não seja um hit como Stranger Things ou 13 Reasons Why, a comédia de Aziz Ansari é atual, bem escrita e sabe muito bem a importância da representatividade nos meios de entretenimento.

Eu poderia gastar alguns parágrafos falando de maneira geral sobre a segunda temporada, que estreou mundialmente no último dia 12 de maio, porém não seria justo para expressar a genialidade de alguns episódios desse segundo ano, que certamente representa uma grande evolução para o show, portanto, essa review focará nos episódios 2×01 – The Thief, 2×06 – New York, I Love You e 2×08 – Thanksgiving.

2×01 – The Thief

No último episódio da primeira temporada, após terminar o relacionamento com a Rachel, Dev decide ir passar um tempo na Itália, seguindo, sem planejamento algum, um antigo seu sonho. Em vez de ignorar essa passada e já começar a série com um Dev pós-Itália, a série decide nos mostrar um pouco de sua rotina nesse novo local desconhecido.

O fato do episódio ser todo em preto e branco e se passar na Itália dá um charme ainda maior para a história que mostra Dev tentando recomeçar a vida, aprendendo a fazer massas e comemorando seu aniversário com um encontro. Tudo ali parece uma grande homenagem ao cinema italiano, mais precisamente, “Ladrões de Bicicletas” de Vittorio De Sica.

Não bastasse isso, MoN não caiu no erro de ignorar a língua local, o episódio praticamente todo se passa em italiano, intercalando com momentos em que o Dev começa falando um italiano bem ruim e termina a frase em inglês. Isso evidencia muito o choque de cultura e realidade entre Nova Iorque e aquela pequena cidade italiana, em um momento Dev fala para o pequeno Mário: “Why can’t you be like American kids? They’re all spoiled, and they have phones”. Nada mais americano que isso.

2×06 – New York, I Love You

Esse pra mim foi o melhor episódio da série. Eu particularmente adoro quando uma série consegue sobreviver sem uma fórmula segura e consegue inovar de maneira criativa e engraçada. New York, I Love You, mostra praticamente nada dos personagens principais, e foca toda sua energia em mostrar a riqueza de pessoas que é a Capital do Mundo.

Como o próprio nome sugere, esse poderia facilmente ser um curta na compilação cinematográfica que já rendeu filmes como “Paris, Je T’aime” em 2006, o próprio “New York, I Love You” de 2008 e “Rio, Eu te Amo” em 2013. Aqui, a série decidiu contar histórias de novaiorquinos que se intercalam de maneira bem sutil.

Tudo é tão bem escrito e tão original que você termina o episódio desejando que a Netflix peça spin-offs de todos aqueles personagens novos, seja do grupo de taxistas que levam spoilers do filme que querem ver, ou da surda-muda que decide ter uma DR sexual com o seu namorado no meio de uma loja. São situações fora do tema comum de sitcoms, mas que funcionam de uma maneira que ninguém nunca antes tinha apostado.

Posso estar fazendo previsões sem nenhuma base de conhecimento, mas acredito que esse episódio será o responsável por dar à série mais um prêmio.

2×08 – Thanksgiving

Por fim, o último episódio que escolhi pra escrever foi aquele em que tem Denise como protagonista, que conta a sua história de amizade com o Dev através de comemorações do dia de Ação de Graças, desde quando eram crianças até o momento em que começa a descobrir sua orientação sexual.

Não fosse isso suficiente para tornar o episódio interessante, ele ainda conta com a participação de Angela Bassett como mãe da Denise e sua dificuldade inicial em saber lidar com a orientação sexual da filha. A casa da Denise sempre foi repleta de mulheres e toda essa atmosfera é capturada de maneira genial pela diretora Melina Matsoukas. O roteiro, que teve colaboração de Lena Wbaithe (que interpreta a Denise) conduz a narrativa de maneira sutil e você sequer percebe que o episódio possui mais do que os usuais 20 minutos. Provavelmente muito do que se vê em tela é uma versão da vida pessoal de Waithe, o que deixa tudo muito mais admirável de se assistir.

Mais uma vez a série se destaca quando Dev é posto em segundo plano. Não que o personagem não consiga carregar a série nas costas, mesmo porque o desenrolar do interesse amoroso com a Francesca é bem mais impactante do que o da Rachel na temporada anterior. A questão é que Aziz, propositalmente abre o seu espaço para que outras vozes sejam ouvidas, mesmo porque ele faz parte de uma minoria, e sabe que aquele espaço é importante.

A série ainda dedica espaço para que temas como assédio sexual, racismo, religião e tantos outros sejam debatidos de maneira cômica sem que seja como tiração de sarro. E são histórias como essas, simples, que encantam aos olhos somente pelo fato de fugirem do lugar-comum. Ao receber o Critic’s Choice Award de Melhor Série, Alan Yang, co-criador da série com Aziz, discursou: “Obrigado a todos os homens héteros e brancos que dominaram o mundo da TV e do cinema por tanto tempo que histórias sobre quaisquer outras pessoas são vistas como novas e originais. Vocês dominaram por tanto tempo, que qualquer outra coisa parece diferente.”

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