Guardiões da Galáxia vol. 2 | Crítica

Antes de mais nada, tenho algumas “confissões” a fazer: Acho o primeiro Guardiões da Galáxia superestimado (como quase todos os filmes da Marvel Studios, aliás). Ando enjoada da tal fórmula que faz com que a crítica e o público caiam de amores pelos filmes, e por isso fui com muita má vontade ao cinema.

Daí vêm os créditos iniciais numa cena de batalha dos guardiões contra um monstrão alienígena genérico, mas isso está em segundo plano. Em destaque vemos baby Groot, uma das criaturas mais fofas já criadas digitalmente, dançando ao som de ELO – Mister Blue Sky, e daí minha gente, não tem como não sorrir.

Esta sequência basicamente estabelece o tom do filme; diluir violência com músicas dos anos 1980, piadas e visual psicodélico (que funciona lindamente em 3D, diga-se). O sucesso de Guardiões e da Marvel em si está nisso, num olhar sarcástico sobre a violência, que misturada ao humor, faz com que seu público criado a leita com pêra nem perceba o massacre exposto bem na sua cara. Baby Groot é fofíneo, mas é também assassino.

A trama agora, apesar de tentar concentrar-se na história do protagonista Peter Quill (Chris Pratt, bem apagadinho aqui) e o encontro com seu pai, Ego (o sempre bom Kurt Russell), acaba perdendo feio para as “tramas” dos coadjuvantes, que roubam cada cena em que aparecem; Drax (Dave Bautista) e sua dinâmica com a nova adição do elenco , Mantis (Pom Klementieff), a relação quase Shakespereana das irmãs Gamora (Zoe Saldana) e Nebulosa (Karen Gillian), fazendo uma analogia a relações de abuso paterno, e mesmo os personagens digitais, Rocket Raccoon e Groot, demonstram mais carisma que o herói.

Mas na verdade suspeito que o diretor James Gunn, sendo um fã raiz de Guardiões, conseguiu enganar os executivos do estúdio dizendo que a trama principal seria a de Star Lord quando na verdade o verdadeiro grande arco dramático está no personagem Yondu (Michael Rooker, excelente), integrante dos Guardiões originais dos primeiros quadrinhos.

Sua trama, que começa mostrando a rejeição que sofre dos outros saqueadores liderados por Sylvester Stallone, numa ponta de luxo, tem uma progressão que mostra com surpreendente delicadeza a evolução do personagem que passa de sidekick a herói e culmina num final emocionante. Arrisco-me a dizer que esta é de longe a melhor trama que o estúdio já mostrou no cinema.

Uma pena que isso também fique diluído entre as infinitas batalhas espaciais. Mas afinal de contas, é Marvel sendo Marvel, e pra quê profundidade se o que o povo quer é apenas diversão momentânea?

Cotação-4-5

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