Velozes e Furiosos 8 | Crítica

Antes de mais nada, devo dizer que esta é a resenha de uma crítica que nunca assistiu a nenhum filme da franquia Velozes e Furiosos (a não ser o primeiro, pela TV, há mais de uma década). Ou seja, não haverá comparação com os longas anteriores para medição de qualidade, tampouco conexão com os personagens para analisar seu desenvolvimento ao longo do tempo. E mesmo que seja impossível não ter o mínimo de conhecimento sobre este universo – afinal vivemos na era da informação – esta é uma crítica de um filme por si só.

Começamos com o protagonista Dom Toretto (Vin Diesel) e Letty (Michelle Rodriguez) vivendo em lua de mel em Havana, Cuba, que nada mais serve de cenário para um racha. Dom corre com uma lata velha que pega fogo, quebra os vidros da frente, ele salta do carro em movimento, mas claro, sai ileso, sem nenhum arranhão, nenhuma consequência legal, e ganha não só o racha como o respeito do oponente. E assim o tom do filme é estabelecido: muita ação, testosterona, frases de efeito e nenhum compromisso com o realismo. É pura galhofa.

E enquanto galhofa, o filme se sai muito bem. É tiro, porrada e bomba, veículos caríssimos sendo destruídos de forma espetacular – destaque para a sequência dos carros-zumbis em Nova York e pela perseguição entre um submarino e carros numa geleira (sim!) –  machos fazendo demonstrações de sua masculinidade através da força, tudo isso sem se levar a sério em momento algum, mesmo que pareça em alguns momentos. Mas isso é só um disfarce para o público: Eis a fórmula do sucesso da franquia, que cresce a cada filme.

E este sucesso tem atraído até mesmo nomes de peso ao elenco, como Helen Mirren (ótima numa ponta) e  Charlize Theron, que aqui faz uma vilã fria e calculista, Cypher, líder de uma organização terrorista, que usa e abusa de tecnologia de ponta para controlar tudo e roubar códigos de ogivas nucleares (é sempre isso), porém sua motivação, além de vingar-se de Dom por coisas do passado (mas para isso não precisava dominar o mundo), é incerta. Mas quem se importa?

Também não importa que Deckard, o personagem de Jason Statham, tenha sido um vilão assassino nos últimos filmes, aqui ele se une ao time e basta algumas piadinhas para virar “parça“. Aliás, sua dinâmica com Hobbs, personagem do rei do carisma Dwayne Johnson, é a melhor coisa do filme, de longe.

Se enquanto galhofa o filme se sai espetacularmente bem, enquanto cinema, é apenas uma sucessão de clichês, maniqueísmos, diálogos puramente expositivos, personagens sem arco dramático e ainda perde uma bela chance de construir um suspense em relação a virada de jogo de Dom, já que o roteiro expõe desde o início que ele se une à vilã por chantagem, que é explicada logo em seguida. Seria muito mais interessante esconder o jogo e deixar o espectador descobrir a reviravolta junto com o time de heróis.

De qualquer forma, esta foi uma oportunidade desta crítica entender um fenômeno cultural, uma franquia adorada por homens, mulheres e crianças, e isso mesmo sem ter nenhum personagem com super poderes (mesmo que cheguem perto disso). Velozes e Furiosos é a versão do século 21 dos filmes de ação que sempre fizeram sucesso ao longo do tempo, pois apesar de toda a porradaria, ainda mantém uma certa “ingenuidade”, fazendo o espectador acreditar no bem e torcer por aqueles personagens, que sempre terminam felizes celebrando a família. Que lindo.

Cotação-3-5

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