T2 Trainspotting | Crítica

Apesar de toda a vontade que me deu de começar este texto com uma paródia da famosa sequência de abertura do Trainspotting original (Escolha a vida. Escolha o trabalho. Escolha uma carreira. Escolha uma família etc.), ao final de T2 Trainspotting cheguei à conclusão de que já tive homenagens demais para um dia só.

O novo filme de Danny Boyle ilustra bem o que mais pode dar errado em uma continuação como esta, que se passa 20 anos depois do original, uma tendência na qual Hollywood parece ter encontrado mais um filão de ouro. Isso porque T2 Trainspotting quase nem é uma história por si mesma. Todas as suas cenas memoráveis (que, aliás, não são muitas) existem devido à ligação com o filme original.

Desde o início, a trama parece uma mera desculpa para presentear os fãs mais fervorosos do filme, ou mesmo do livro de Irvine Welsh, com homenagem em cima de homenagem. Esquece, no entanto, de justificar sua própria existência.

Quanto mais você pensa sobre a narrativa, mais percebe que cada arco de personagem, cada pequena virada da trama é uma simples conveniência para fazer mais uma relação com o passado, relembrar mais uma cena icônica, apontar para mais um fan service. Há quem diga até que o livro Porno, em que o filme é vagamente baseado, tinha uma linha narrativa muito mais bem definida, que acabou sendo abandonada.

Menos mal que o filme ao menos sabe bem de seus status de inferioridade. Desde o início se assume como uma revisita ao passado, a ponto de em determinado momento Sick Boy (Johnny Lee Miller) criticar Renton (Ewan McGregor) por supostamente se divertir em mergulhar nas próprias memórias.

Ainda assim, não deixa de soar como uma oportunidade desperdiçada, já que o elenco continua ótimo e inteiramente comprometido com o filme, com destaque para McGregor, Robert Carlyle, tão brutal quanto antes, e Ewen Bremner.

Danny Boyle, por outro lado, é responsável por uma direção que, apesar de todo o seu dinamismo, suas sacadas espertinhas e virtuosismo pop, soa em vários momentos cansada, inexpressiva. E a situação só piora quando o filme insiste em fazer comparações com o primeiro longa. Aquele ao menos tinha uma filosofia e personalidade próprias, o que já é muito mais do que se pode dizer do filme.

No fim das contas, não há nem tanto para se comentar sobre T2 Trainspotting, projeto que nasceu inteiro dessa obsessão recente da nossa sociedade com a nostalgia. Até aqueles que preferem viver do que já passou mereciam mais. Uma revisão do clássico dos anos 90, por exemplo, cairia muito melhor que isto aqui.

Cotação-2-5

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Um comentário

  1. Essa sequência, pelo que percebi, dividiu opiniões, tanto de público quanto da crítica. Eu, particularmente, gostei do filme, achei uma sequência digna e já fui assistir sem a expectativa que superasse ou ao menos se igualasse ao original, acho que as críticas negativas têm partido daqueles que criaram uma expectativa maior do que a devida, pelo menos esta é a impressão que tenho tido…

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