Fragmentado | Crítica

Quando despontou no final da década de 1990, o diretor indiano radicado nos EUA, M. Night Shyamalan, logo foi comparado aos grandes mestres do suspense, incluindo, claro, Alfred Hitchcock, devido à sua narrativa de tensão crescente até chegar num clímax que sempre tinha um plot twist, aquela reviravolta que deixava o público excitado.

O Sexto Sentido (1999) e Corpo Fechado (2000) até hoje são suas obras de referência e seus maiores sucessos, que tornaram-se clássicos modernos. Mas Shyamalan, nestes 18 anos, conseguiu manter o título de mestre do suspense? Infelizmente, a comparação prematura é um perigo; egos são inflados, milhões são investidos e a liberdade de criação é comprometida por produção de estúdio. Daí, é só ladeira abaixo, e foi o que aconteceu com o diretor por um longo período, Fim dos Tempos (2008), O Último Mestre do Ar (2010) e Depois da Terra (2013) estão aí para comprovar.

Mas eis que depois de fracassos colossais, quando todo mundo pensava que a carreira de Shyamalan estava enterrada, ele volta às origens do suspense de baixo orçamento com o ótimo A Visita (2015) e agora triunfa com o sucesso de bilheteria nos EUA de Fragmentado.

Fragmentado é puro Shyamalan. Conta a história de Kevin (James McAvoy, numa performance que deve mudar sua carreira), um homem que sofre de transtorno de múltipla personalidade, e bota múltipla nisso, já que são 23 diferentes. E, apesar dele ter consciência disso e receber terapia da psicóloga Karen Fletcher (Betty Buckley, aquela atriz veterana excelente que desaparece nas personagens porém nunca tem seu talento devidamente reconhecido), algumas de suas personalidades mais perigosas “se unem” e raptam três adolescentes.

A partir daí é terror claustrofóbico, thriller psicológico e toques de suspense fantástico, se é que este termo existe. Shyamalan vai construindo a tensão conforme vai nos dando informações sobre as personagens através de flashbacks, no caso da protagonista entre as meninas, Casey (Anya Taylor-Joy, que vai virar a nova scream queen com A Bruxa e este) e de palestras da psicóloga num congresso. Parecem recursos clichê, mas são extremamente eficientes na sua simplicidade. E todas estas informações serão úteis para o clímax.

Se em Fragmentado não há uma reviravolta de tirar o fôlego como em seus predecessores de maior sucesso, ao menos os fãs irão se deliciar com as referências a essas obras, com direito até a um crossover. Bem vindo de volta, Shyamalan!

Cotação-4-5

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