A Bela e a Fera | Crítica

beautyandthebeast

Um dos filmes mais aguardados de 2017, A Bela e a Fera é a versão live-action do desenho clássico de 1991, que foi a primeira animação indicada ao Oscar de Melhor Filme (e era a única até 2009, quando Up – Altas Aventuras foi indicada). Se nessa leva de live-actions a Disney nos deu com Malévola uma nova leitura sobre A Bela Adormecida, no qual vimos a história pelo olhar da vilã, e em Cinderela uma visão ampliada do Príncipe e também da Gata Borralheira, em A Bela e a Fera essas alterações soam sutis.

Com direção de Bill Condon, o filme se mantém seguro e é conduzido por um elenco estelar, entrosado e talentoso. O longa, em certos momentos, é idêntico à animação de 1991, não somente nos diálogos, mas nos detalhes das cenas e até nos movimentos de câmera. As diferenças são notáveis nas lacunas que o desenho não preencheu, que ficaram até interessantes, mas poderiam ser um pouco melhor exploradas – como o passado do Príncipe, por exemplo. Tecnicamente, o filme é impecável (mesmo que o CGI da Fera incomode alguns). Se não cair no esquecimento dos votantes do Oscar, rola indicação fácil para Design de Produção e Figurino.

Protagonizado por Emma sdds Hermione Granger Watson, uma das vozes feministas mais ativas de Hollywood, podemos observar uma Bela mais enérgica, independente e à frente de seu tempo. No desenho, conseguíamos reparar que Bela já tinha um lado progressista através de seus sentimentos expressados por suas canções. No filme, vemos isso abertamente em seus diálogos e sentimentos, no fato dela também ser uma inventora, como seu pai, e até mesmo em suas roupas (ela usa coturnos, seus vestidos são confortáveis e, quando vai à luta, ela se livra do vestido pomposo).

beautyandthebeast3

A Bela de Emma Watson se sente solitária na vila onde mora e o filme foi bom em nos situar e nos lembrar que a história se passa na França do século XVIII, portanto, para a mentalidade daquelas pessoas, Bela é realmente uma garota estranha que fica perdida em seu mundo de livros, aventuras e romance. É interessante também quando ela aparece ensinando uma menina a ler e é repreendida pelo professor do vilarejo, já que só meninos podiam estudar.

Já a Fera de Dan sdds Matthew Crawley Stevens, que ainda acho que poderia ter seu passado um pouco melhor explorado, é competente – mesmo por trás de todo CGI – em fazer a transformação da fera bruta para a fera mansa e carismática através do seu olhar e da sua voz. Outro ponto do filme é que o romance entre os dois floresce de maneira mais detalhada para o público. Ambos se sentem solitários e deslocados do mundo, e quando compartilham isso, Fera até pergunta se ela não quer fugir com ele dali para serem felizes em outro lugar, um que os aceite como eles são. Eles também passam mais tempo juntos, conversam mais e sabem de mais detalhes um do outro, até de suas tristezas.

E se Emma Watson e Dan Stevens estão competentes em seus papéis, Luke Evans e Josh Gad brilham como Gastão e Lefou, os vilões que amamos odiar. Luke Evans ainda acrescenta um carisma ao personagem que quase nos faz gostar de verdade dele, antes da transformação total no vilão que já conhecemos. Já Lefou, que causou polêmica por ser ~abertamente gay~, diverte com sua idolatração cega por Gastão e seu jeito debochado. E as pessoas revoltadas com a ~revelação~ sobre o personagem com certeza estão com a mentalidade no vilarejo onde Bela mora (inclusive, ninguém nunca reparou antes que Lefou era apaixonado por Gastão no desenho? Gente, a música dele sempre foi uma declaração de amor. Sugiro que vocês escutem novamente as músicas de É O Tchan e Mamonas Assassinas, acho que o “choque” será o mesmo).

beautyandthebeast2

No trabalho dublado dos personagens do castelo, Ewan McGregor como Lumière e Ian McKellen como Horloge roubam a cena, como esperado. Ewan McGregor ainda protagoniza uma das melhores partes do filme com sua versão encantadora de Be Our Guest (pt: À Vontade), e Emma Thompson empresta sua voz para Madame Samovar e nos dá uma versão acolhedora de Beauty And The Beast (pt: A Bela e a Fera). Por fim, A Bela e a Fera consegue resgatar a nostalgia que tanto agrada o público, e apesar de não querer ousar tanto nas alterações (o que não vejo como algo ruim, mas pode decepcionar alguns), faz um filme eficaz, divertido e encantador, com o toque de magia que a Disney sempre deixa em suas produções.

 

Cotação-4-5

Anúncios

Deixe seu comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s