Como Deadpool, Legion e Logan podem definir o futuro dos superheróis no cinema

Em 2000 a Fox estreava nos cinemas o filme que seria responsável por tornar os super-heróis em um gênero de cinema. X-Men, dirigido pelo não tão conhecido Bryan Singer (que vinha do sucesso de crítica de Os Suspeitos) fez em bilheteria “apenas” o dobro de seu custo, mas desencadeou uma indústria que hoje é responsável por garantir bilhões de dólares aos estúdios americanos.

Passados 17 anos, os super-heróis começaram a se expandir e hoje já ocupam jogos de videogame e séries de TV com mais frequência e estão constantemente se auto-referenciando, numa tentativa de manter uma harmonia em um universo compartilhado. No meio disso tudo tivemos verdadeiras joias do cinema como Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008), Homem-Aranha 2 (2004) e Homem de Ferro (2008) pra citar alguns, mas também produziu filmes completamente vergonhosos como todos os Quartetos Fantásticos e o primeiro Wolverine, pra ficar só na Fox.

Acontece que um estúdio conseguiu unir diversos elementos capazes de agradar a gregos e troianos e assim se firmar como a maior produtora cinematográfica de filmes de heróis. Somente no ano passado, com Capitão América: Guerra Civil e Doutor Estranho, a Marvel arrecadou cerca de $1.8 bilhão mundialmente. A chamada “fórmula Marvel” mostra os super-heróis de maneira mais leve, foca na aventura e no fim tudo dá certo, tudo se resolve e o terreno pro próximo filme já é plantado (seja com participações rápidas ou cenas pós-créditos).

O problema nisso é que eventualmente todos os filmes começam a ficar parecidos demais uns com os outros. O quanto isso chega a incomodar você, dependerá de outros tantos fatores, mas cada vez mais a sensação que tenho tido é a de saturação, por já entender a fórmula e já saber como ela será encaixada naquele filme que estou vendo. O clímax do filme perde sua emoção uma vez que já sabemos que nada de ruim de fato acontecerá com os protagonistas (mesmo porque em geral eles já possuem contratos para mais 3 futuros filmes).

Em reação a essa visão dos encapados nos cinemas, chega a DC meio que cambaleando tentando firmar o seu universo cinematográfico seguindo um caminho completamente inversos. Tendo como grande inspiração os Batmans do Nolan, o Universo da DC é cercado por um tom mais sombrio, sem muitas piadas e teoricamente mais pesado. Não funcionou. Pelo contrário, a DC conseguiu aborrecer crítica e público com sua tentativa de firmar seus personagens no cinema.

Correndo por fora dessa briga, temos a Fox, a mesma que deu início a essa largada e que hoje conta apenas com o grupo de mutantes e o Quarteto Fantástico no seu leque de heróis. Apesar da repercussão e do sucesso, a Fox nunca lutou pau a pau com a Marvel e a DC em número de bilheteria, porém aos poucos tem se preocupado em se reformular como forma de se manter viva nesse mercado tendo em vista seu cardápio limitado.

Eis que no começo de 2016 surge Deadpool, um filme que havia sido desconsiderado pelo próprio estúdio anos atrás e que foge de qualquer modelo já visto em filmes de super-heróis, e por vezes chega a zoar a si mesmo, reconhecendo, entre outras coisas, a fórmula já desgastada de se criar um herói.

O mercenário tagarela com censura de 16 anos fez tanto sucesso que superou em bilheteria todos os filmes do X-Men anteriores e foi indicado a diversos prêmios (Globo de Ouro, Sindicato dos Diretores, etc), e foi essencial para que um filme como Logan pudesse ser feito, mesmo ambos não possuindo nada em comum.

Segundo o diretor James Mangold, o último filme de Hugh Jackman como o Wolverine foi pensado para se passar em um universo um pouco diferente dos demais, isso significa que aqui e acolá temos referências a eventos já conhecidos, mas eles não são determinantes para o desenvolver da história. Aliás, o fato de não termos o nome Wolverine no material de divulgação do filme não foi ao acaso, Logan sequer parece um filme de super-herói, é basicamente um road movie que por acaso é protagonizado por um mutante com garras de adamantium.

O mesmo pode ser percebido com outro personagem da Fox, David Haller, conhecido como Legion. David é filho do professor Xavier, e além dos seus poderes telepatas, possui esquizofrenia. A abordagem heroica passa longe da série, e a todo momento somos apresentados à loucura interna que é o cérebro de David. É uma série intencionalmente confusa e que não tem foco na ação e novamente, não está ligada aos filmes da série X-Men.

Pelo que se vê, a Fox teve a brilhante ideia de começar a fazer o que os quadrinhos já fazem há décadas, histórias em universos paralelos, com situações desconexas e que não possuem necessariamente um impacto direto em outras obras. E isso lhe dá novas possibilidades de criação diante das poucas franquias que possui. Aparentemente a Fox encontrou a fórmula que a DC tanto busca.

É bem provável que a DC e a Marvel não sejam influenciadas a curto prazo por essa nova fórmula de filmes de super-heróis, entretanto, a DC já estuda fazer um filme com uma censura maior. A Marvel porém deve continuar investindo no que tem dado certo até aqui. Até quando essa fórmula Marvel vai continuar dando frutos é difícil dizer, principalmente porque temos pela frente dois filmes que já estão sendo divulgados dentro do próprio MCU há anos, Vingadores 3: Guerra Infinita Parte I e II estão previstos para 2018 e 2019, respectivamente.

Por enquanto o que se pode dizer é que a família X-Men é a mais promissora nos cinemas (mesmo com aquele projeto do Channing Tatum como Gambit), e assim como os mutantes representam uma evolução da espécie humana, talvez essa nova fórmula da Fox simbolize a evolução necessária dos filmes de super-heróis. É aguardar pra ver.

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