A Lei da Noite | Crítica

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Não é segredo que A Lei da Noite foi o projeto de estimação de Ben Affleck por muito tempo. Considerando-se que Argo, seu último filme, além de ter alcançado bons números de bilheteria, levou para casa a principal estatueta na noite do Oscar, é de se perguntar por que a produtora não estava com a caneta a postos para assinar em cima de qualquer coisa que Affleck se dispusesse a fazer.

Depois de finalmente assistir ao filme, que acabou sendo não apenas um fracasso de público mas também de crítica, tornou-se um pouco mais fácil entender toda essa cautela. Hoje já não é brincadeira vender um filme de época sobre gângsteres americanos durante a Lei Seca. E com A Lei da Noite a situação pode ser ainda mais complicada.

Para começar, o filme não está particularmente interessado em sequências de ação, tiroteios ou coisas do tipo, algo que deve ter passado na mente dos executivos de Hollywood como a característica mais vendável da coisa.

De fato, o longa não parece nem mesmo se importar muito com sua história ou com o destino de seus personagens. Isso inclui, naturalmente, o próprio protagonista, o gângster com coração de ouro Joe Coughlin, vivido por Affleck.

LIVE BY NIGHT

É muito difícil entender o que move o roteiro do filme, já que ao mesmo tempo em que tenta construir a ascensão de Coughlin no mundo do crime e sua batalha interna com os próprios fantasmas, a narrativa faz do sujeito um cara extremamente blasé, para quem parecem ser indiferentes tanto sua posição social quanto o destino das pessoas ao redor e até mesmo o próprio futuro.

Ou talvez não fosse essa a intenção? Bom, nesse caso, com certeza é o principal problema de Affleck escalar a si mesmo para viver o personagem, já que, como ator, ele não é capaz de ser nada além de apático.

Na verdade, conforme a história avança, percebemos que Coughlin deveria ser uma pessoa carismática, extremamente persuasiva e ao mesmo tempo ameaçadora, um verdadeiro ás dos negócios. A questão é que há um desnível absurdo entre as reações que os outros personagens têm a ele e a figura que enxergamos, que é basicamente Ben Affleck, inexpressivo como sempre, com seu sorrisinho sem graça e usando dezenas de chapéus diferentes.

Talvez isso não chegasse a ser um problema tão grande se o roteiro como um todo não fosse também uma imensa besteira, um amontoado de cenas e diálogos calcados em lugares comuns que por vezes soam vergonhosos. O mais interessante é que o filme até sugere ter uma certa consciência do problema e em muitas dessas cenas os atores dizem suas falas como quem está contando algum tipo de piada (de novo, é difícil dizer se isso é proposital).

LIVE BY NIGHT

No fim das contas, o que fica claro é que Affleck tenta construir uma experiência emocional a partir da jornada de seu personagem. O que não funciona nem um pouco, já que não há envolvimento emocional algum com nenhum dos personagens (inclusive, várias mortes no filme ocorrem displicentemente, como notas de rodapé).

No geral, é difícil entender o que aconteceu aqui, porque Affleck pode até não ser genial, mas tem demonstrado ser um cineasta competente. Em A Lei da Noite, foi complicado enxergar no que ele estava mirando, mas não há nenhuma dúvida de que errou muito o alvo. Às vezes, o projeto dos sonhos pode ser uma grande cilada.

Cotação-1-5

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