Moonlight – Sob a Luz do Luar | Crítica

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Nesta temporada de premiações, o único filme capaz de bater de frente com o queridinho de todos, La La Land, é Moonlight – Sob a Luz do Luar. E nesta “briga” sobre qual obra é a melhor, muitos o acusam de ser um Oscar bait por contar a história de um rapaz negro, pobre, homossexual e de mãe viciada em crack, ou seja, todos os estigmas possíveis para tornar o filme socialmente relevante e assim ser um vencedor político nessa época tão obscura em que vivemos.

Adaptado formidavelmente da peça de  Tarell Alvin McCraney, “In the Moonlight Black Boys Look Blue“, o filme narra a história de um rapaz que tem sim todos os estigmas do mundo sobre ele, mas é um conto sobre as pessoas invisíveis que encontramos em qualquer parte do mundo, sobre aqueles de quem não queremos saber o histórico e que são duramente julgados – o tempo todo – pelas consequências de uma vida bruta.

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O filme se divide em três partes, primeiro, conhecemos o protagonista na infância (vivido por Alex R. Hibbert) , já perdido, sofrendo bullying por ser “diferente”, e nesta fase ele encontra no traficante Juan (Mahershala Ali) a figura paterna e o exemplo que vai influenciá-lo fortemente ao longo da vida. Já na adolescência, época de descoberta da sexualidade, Chiron (Ashton Sanders) descobre o amor, e também o porquê é perseguido com tanta crueldade. Na fase adulta, agora interpretado com uma sensibilidade magistral por Trevante Rhodes (ele sim deveria ser indicado aos prêmios no lugar de Ali), o menino tornou-se praticamente uma cópia de seu “mestre” da vida, Juan, e vemos como toda a violência sofrida moldou sua vida.

Entretanto, a aclamação de Moonlight não vem somente de seu apelo social, mas também por contar de forma intimista e poética uma história sobre crescimento, sobre “o tipo de homem que você quer ser”. Muitos criticam o terceiro ato, que mostra a vida adulta de Chiron e como se desencadeou sua relação com a mãe (Naomie Harris, que entrega uma excelente atuação) viciada em drogas que eram vendidas justamente por Juan. Talvez muitos esperassem uma reação mais revoltosa do filho, mas ele ainda a ajuda, mesmo que o rancor esteja presente no olhar, nas palavras e no próprio ar entre eles.

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Outro ponto discutido no terceiro ato é sua relação com seu antigo amor de infância, Kevin (André Holland, também excelente) e a longa e intimista sequência no restaurante. Mas o filme também é sobre isso, sobre demonstrar amor através de uma refeição, sobre flertes sutis e comunicação não-verbal impactante. Moonlight é sobre um menino que só queria ser tocado com afeto.

Cotação-5-5

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