John Wick – Um Novo Dia para Matar | Crítica

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É raro o filme de ação bem-sucedido que não flerte um pouquinho que seja com o ridículo. Dos anos 80 em diante, quando a ação passou a beirar o impossível e os protagonistas musculosos se tornaram super-heróis anabolizados (apesar de eles sangrarem, porque sim, eles sangram), para muitos filmes o clichê e o ridículo se tornaram parte importante do gênero, tendência que só foi parcialmente quebrada com a série cinematográfica Bourne e seus derivados.

O fato de abraçar tão sem reservas o que há de mais brega em si mesmo foi o que fez do primeiro John Wick (no Brasil entitulado De Volta ao Jogo) um sucesso de público e crítica razoável o bastante para motivar uma continuação. Isso porque, para além de suas cenas de ação fortemente coreografadas, que figuram entre as melhores do gênero nas últimas décadas, é o mundo de assassinos de aluguel por contrato que se esconde sob a superfície daquela história que faz dela algo tão divertido.

Inteligentes, o roteirista Derek Kolstad e o diretor Chad Stahelski identificaram sem problemas os principais pontos fortes daquele primeiro filme e, com o intuito de fazer uma sequência ainda melhor, se dispuseram a ampliá-los. E não é que deu certo?

Nesta nova caçada frenética em cenários urbanos, John Wick (Keanu Reeves, novamente perfeito num papel sob medida para sua inexpressividade) é obrigado a levar a cabo uma tarefa quase impossível. Ao fazê-lo, acaba desencadeando uma perseguição sem fim, em que todo mundo parece decidido a tirar sua vida.

Além de conhecermos mais sobre o misterioso hotel que serve como sede da organização de assassinos, passamos a entender melhor seu funcionamento. É divertido entender o complexo mecanismo que permite que seus membros atuem bem debaixo do nosso nariz, ocultos nas dobras de uma sociedade ansiosa por não enxergá-los.

As longas sequências de luta também estão de volta, com Wick mais violento e ainda mais vulnerável a ataques. Apesar de nenhuma delas superar a excelente cena de porrada dentro da boate no primeiro filme, o que há de mais interessante aqui é como muitas dessas sequências acontecem de forma orgânica em lugares públicos. Para não estragar as pequenas surpresas do filme, basta dizer que o roteiro encontra algumas maneiras inventivas de contornar os obstáculos que vão aparecendo pelo caminho.

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John Wick – Um Novo Dia Para Matar pode não ser um filme perfeito (perto do fim, ele perde um pouco do ritmo e acaba exagerando na dose do ridículo), mas, assim como seu antecessor, é um dos mais excitantes filmes do gênero dos últimos anos. Stahelski, que por muitos anos atuou como dublê, inclusive do próprio Keanu, traz uma vitalidade e um apuro visual para suas cenas (é importante frisar o quanto o filme pensa com cuidado até mesmo na fotografia, atipicamente bela para um filme de ação) como praticamente não se vê hoje — o último Mad Max é uma exceção.

Ter um cineasta que pensa não apenas no soco, no chute, no tiro, mas também no visual, nas cores, na estética do movimento do soco, do chute, do tiro é tudo de que o gênero precisa no momento. E não apenas para ganhar mais público, mas para fugir da mesmice galhofeira de franquias como Velozes e Furiosos. De fato, o melhor que se pode esperar de qualquer gênero é que ele não se acomode. Vale para o terror, que tem se reerguido nos últimos anos, e vale agora para a ação.

Cotação-4-5

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