O Chamado 3 | Crítica

Esteja avisado: a crítica a seguir contém spoilers.

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De que Hollywood se transformou em uma gigantesca e lucrativa máquina de gradual banalização de si mesma ninguém mais duvida. Ainda assim, há um certo prazer mórbido em observar não só o quanto a maior indústria de cinema do mundo aposta com frequência parte de suas fichas em projetos claramente imbecis (muitos deles imensos fracassos comerciais), mas também como não mede esforços para destruir produtos já bastante estabelecidos e amados pelo público.

A bola da vez é O Chamado 3, mas poderia ser várias das estreias que chegam aos cinemas. O filme resgata, aparentemente sem motivo algum, esta história de terror que foi um sucesso inesperado de bilheteria e de crítica lá em 2002, e que já era baseada em outro excelente longa de horror japonês.

Era de se esperar que, com o fracasso de O Chamado 2, os produtores ao menos demonstrassem mais cuidado ao botar novamente as mãos no material (porque achar que nunca resgatariam a franquia seria muito otimismo para uma época em que jogo de tabuleiro vira superprodução cinematográfica). Até isso, no entanto, parece ser esperar demais.

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O mais frustrante é que o filme é razoável na parte técnica e tem atuações aceitáveis, ainda que nenhuma digna de nota. Vincent D’Onofrio é o que mais chega perto de fazer algo interessante. Como quase sempre, o maior problema é o roteiro, que desperdiça a ainda criativa premissa original para investir em uma trama batida, que mal e mal utiliza sua principal vilã (pois é, há bem pouco de Samara aqui).

De maneira geral, a história reedita os acontecimentos do primeiro filme, em que a protagonista (antes Naomi Watts, agora Matilda Lutz) procura desvendar os segredos de Samara para se livrar da maldição. Não parece spoiler suficiente dizer o mais óbvio: ela consegue (só para manter a consciência limpa, plantei um aviso no início do texto). Mas o resultado, é claro, não é exatamente o que esperava.

A direção, sempre incapaz de criar qualquer atmosfera de horror, apela com frequência para a milenar estratégia de botar gente pulando na frente da câmera para assustar os espectadores incautos. E nem esses sustos obtidos da forma mais rasteira e desonesta possível funcionam o tempo todo.

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Mas é na conclusão que está a maior prova de que o filme faz mesmo de tudo para se livrar da herança do primeiro longa. Não dá para entender muito bem, mas parece que o objetivo é caminhar a passos largos em direção a qualquer outro filme genérico de terror feito às pencas hoje em dia.

Ao abandonar a premissa inicial de seu fantasma para dar lugar a mais uma trama capenga de possessão, os roteiristas David Loucka e Jacob Aaron Estes, assim como o diretor F. Javier Gutiérrez, alcançaram o que nenhum personagem da “franquia” havia conseguido até o momento: enterraram Samara de vez.

Cotação-1-5

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