Jackie | Crítica

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Jackie é diferente da maioria das cinebiografias de pessoas ligadas ao mundo político. Ao mesmo tempo que tenta não ser uma obra chapa-branca, ela apela para momentos em que superexpõe a meticulosa interpretação de Natalie Portman da ex-primeira dama norte-americana. E é na força da protagonista que o filme encontra o seu maior triunfo.

Engana-se quem pensa que o filme aborda toda a trajetória da nova-iorquina até a Casa Branca, o roteirista Noah Oppenheim concentra-se apenas em um dos momentos mais traumatizantes da vida de Jackie, o assassinato de seu marido, John F. Kennedy, em novembro de 1963. A narrativa principal escolhida por Oppenheim é o já batido relato a um jornalista, que eventualmente demonstra ser uma espécie de contra-ponto à visão da primeira-dama, mas que nunca, de fato, consegue ditar o andamento da história.

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Paralelo a esse ponto, o filme ainda intercala a entrevista com cenas do assassinato e cenas de um documentário feito pela NBC “A Tour of the White House with Mrs. John F. Kennedy”. É impressionante a precisão com que Natalie Portman consegue imitar a ex-primeira dama, tudo está ali, o sotaque, o jeito de falar e até mesmo o modo de andar. Não à toa, o diretor chileno Pablo Larraín concentra a maioria de seus quadros em planos fechados no rosto de Portman, ocupando quase que a tela toda, a fim de certificar que estamos entendendo o momento de tristeza pela qual a personagem passa, como se isso fosse necessário.

Boa parte do filme se concentra em mostrar Jackie Kennedy tratando do velório do seu marido, e sua obsessão em fazer com que ele ficasse marcado na história como um bom presidente e que tudo fosse tão pomposo e apoteótico quanto o funeral de Lincoln. O filme toma liberdades criativas para tratar destes temas de bastidores, mas a montagem torna o roteiro extremamente maçante e com um desenvolvimento lento, mesmo que aqui e ali você tenha uma cena marcante (como a reprodução do momento em que Jackie sobe no carro para catar restos do cérebro do seu marido após o tiro, ou quando ela enterra os dois filhos perdidos próximo ao pai). Assim, o roteiro parece uma costura de momentos que servem apenas para passar o tempo entre tais cenas.

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Junto com a atuação de Portman, outro elemento que dá liga à narração é a primorosa trilha da britânica Mica Levi, que foge do óbvio tom melodramático e aposta de maneira eficaz em uma trilha que beira ao suspense que causa a sensação de desconforto e angústia na maioria das cenas.

Apesar disso, não dá pra deixar de notar que a obra toda parece um Oscar-bait, pensamento milimetricamente para premiações, não que isso seja necessariamente ruim, mas aqui deixa a trama mais arrastada do que deveria.

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