Estrelas Além do Tempo | Crítica

Estrelas Além do Tempo ficcionaliza uma história real de mulheres negras, que, nos EUA do fim dos anos 1950 e início dos anos 1960, ou seja, em meio aos conflitos por direitos civis dos afro-americanos e no auge da Guerra Fria, superaram todos os obstáculos e tornaram-se figuras essenciais na história da NASA, a agência espacial norte-americana. O filme não só aborda questões raciais, e que pela narrativa se aproxima de outro sucesso do cinema recente; Histórias Cruzadas (2011), como também expõe a dificuldade em ser mulher num ambiente ostensivamente masculino.

Não por acaso, o título original do filme (e do livro do qual foi adaptado) é Hidden Figures, pois essas mulheres reais, Katherine Johnson, Dorothy Vaughn e Mary Jackson até pouco tempo eram figuras escondidas da história norte-americana, mesmo tendo sido elas, respectivamente: quem teve um papel primordial na ascensão do primeiro astronauta dos EUA ao espaço, a primeira pessoa a programar os computadores da IBM na NASA e a primeira mulher negra a formar-se engenheira aeronáutica nos Estados Unidos. Tá, meu bem?!

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A história real destas mulheres merecia mesmo virar livro e filme, mas quando digo que foi transformada em ficção, é porque algumas situações foram trocadas (o caso do banheiro aconteceu com Mary) e personagens foram criados especialmente para o longa, como é o caso do chefe de Katherine, Al Harrison (Kevin Costner), que está ali com a função de ser o homem branco que vai quebrar os paradigmas das relações profissionais inter-raciais e de gênero, e a personagem de Kirsten Dunst, Vivian, que demonstra a visão do racismo velado, tão comum até hoje.

O estilo de direção de Ted Melfi, que também co-escreveu o roteiro, segue a fórmula do crowd pleaser, ou seja, cria arquétipos e manipula as sensações da plateia, mas segue um caminho que vai agradar a todo mundo. Parece um filme dos anos 1990 (não à toa escalaram Costner). Aqui, como em Histórias Cruzadas, o que vale é a química e o talento do trio protagonista, Taragi P. Henson (Katherine), Octavia “you eat my shit” Spencer (Dorothy), e Janelle Monaé (Mary). Não tem como não torcer por elas.

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O que também torna Estrelas Além do Tempo especial é que, apesar de alguns clichês, consegue ser inspirador sem ser piegas, e é um tapa na cara de quem anda surfando na onda conservadora (e por consequência, racista, machista, homofóbica…) que assola a sociedade hoje em dia. E também mostra não só a importância da matemática, mas da história, pois só conhecendo o passado e seus personagens conseguiremos superar erros e avançar como uma sociedade mais justa e igualitária.

Cotação-4-5

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