La La Land – Cantando Estações | Crítica

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A era dos grandes musicais já se foi faz um bom tempo, mas às vezes Hollywood decide brincar de trazê-los de volta em grande estilo, assim como faz com os faroestes quando lhe dá na telha. O resultado, como se pode imaginar, é no mínimo irregular, e mesmo filmes que tiveram posições de destaque no Oscar, como Chicago ou, mais recentemente, Os Miseráveis, dificilmente figurariam no cânone dos grandes musicais da história do cinema.

É por isso que La La Land, um raro caso de musical original no cinema de hoje (a grande maioria chega com pedigree da Broadway e afins), tem feito a cabeça de muita gente por aí e anda cotado para protagonizar uma verdadeira rapa na próxima cerimônia do Oscar, em fevereiro.

Desde o início, o longa demonstra ser capaz de aliar grandeza e intimidade em seus números musicais, fazendo com que sejam ousados em dimensão, mas pequenos em seus temas, tratando principalmente dos sonhos, planos e vidas de seus personagens. O diretor Damien Chazelle, o mesmo do ótimo Whiplash, aqui está ainda melhor, desenvolvendo números musicais encantadores em suas propostas, mas que nunca se desconectam da trama o suficiente para permitir uma dispersão. Pelo contrário, a maior parte deles está intimamente ligada à narrativa e auxilia no avanço de alguns de seus pontos-chave.

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Além disso, La La Land é, acima de tudo, uma grande homenagem aos musicais de outras eras. Um espectador mais atento e conhecedor da história do cinema não deixará de notar ecos de Cantando na Chuva e Os Guarda-Chuvas do Amor, assim como de filmes protagonizados por Ginger Rogers e Fred Astaire e dos números musicais grandiosos e altamente coreografados de Busby Berkeley, considerado o pai do gênero na telona. Essas referências estão salpicadas ao longo de todo o filme, seja na fotografia de cores forte e vivas, seja na construção de cenas, na narrativa e até mesmo na composição de algumas imagens quase idênticas às de clássicos do gênero.

O roteiro simples, que acompanha a história de amor conturbada entre Mia (Emma Stone) e Sebastian (Ryan Gosling), é uma outra forma de fazer uma homenagem aos clássicos descomplicados de outras eras. Até por essa simplicidade em termos narrativos, o filme depende largamente de suas músicas (são todas excelentes, algumas fadadas a se tornarem clássicas) e do desempenho de seus dois protagonistas e da química entre eles, no que é correspondido de forma esplêndida.

Stone e Gosling não são grandes cantores, e o filme nem tenta esconder isso, mas até mesmo as falhas ajudam a dar alguma naturalidade às interpretações. Gosling está bem, engraçado e mais charmoso do que nunca, mas é Emma Stone quem rouba os holofotes para si com uma atuação luminosa, de momentos emocionais, que deve ser capaz de elevá-la a um outro patamar dentro do ecossistema hollywoodiano (a atriz periga levar uma estatueta para casa, mas mesmo sem isso o filme será um belo impulso para uma carreira já em franca ascensão).

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O tom bem-humorado e dançante do início dá lugar a uma atmosfera um pouco mais séria pouco depois da metade do longa, e o filme ameaça cair em alguns clichês de filmes de romance. Felizmente, acaba contornando a maioria deles de formas inusitadas, muitas vezes nos pequenos detalhes (Stone trocando o salto por um calçado de sapateado antes de um número musical ou entreouvindo críticas cruéis após uma apresentação; Gosling sendo interrompido bem no meio da preparação de uma noite romântica).

Este é também, por fim, um filme que entende a importância da trajetória que construiu para seus personagens e, até por isso, faz questão de conclui-la com uma belíssima homenagem à história de ambos, em uma das cenas mais tocantes do cinema nos últimos anos.

Desta vez parece que, ao apostar novamente na nostalgia, a Academia vai acertar em cheio, neste que deverá ser o melhor vencedor do Oscar da década até o momento. Resta ver se as previsões vão se confirmar. E se, nesta temporada de prêmios que já começa promissora, não haverá descobertas ainda mais fantásticas pelo caminho.

Cotação-5-5

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