Assassin’s Creed | Crítica

Jogos de videogame são praticamente as piores fontes de inspiração para obras cinematográficas. Há sempre muita expectativa em relação a um produto que vendeu milhões de cópias no mundo todo e que gerou uma franquia nos consoles mais populares, mas o resultado em tela é geralmente algo confuso e sem inspiração alguma. O mais recente game adaptado, Assassin’s Creed, não foge à essa regra.

A sinopse é provavelmente a mais risível entre as adaptações recentes: após ser condenado à morte por homicídio, Cal Lynch (Michael Fassbender) é resgatado pela cientista Sofia (Marion Cotillard) para fazer parte de um experimento científico capaz de conectá-lo com as memórias de seu ancestral de 500 anos atrás para que ela possa descobrir onde está a Maça do Éden, que contem o DNA do livre-arbítrio. A ideia é acabar com o livre-arbítrio e vejam só… acabar com a violência mundial.

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Se essa história já não faz sentido algum, imagina ela sendo contada em um filme em que metade das cenas são no escuro e a outra metade com fumaça no meio, somados à atuações apáticas dos dois protagonistas que sequer parecem compreender as frases que falam. O filme ainda não se preocupa em tornar seus personagens carismáticos ou sequer faz com que possamos torcer por eles, não há motivação alguma para que o espectador consiga estabelecer um vínculo com qualquer dos personagens, todas as decisões tomadas parecem ser aleatórias.

Logo no começo descobrimos que a mãe de Lynch foi assassinada pelo seu pai para proteger o Credo dos Assassinos, e embora isso pareça ser algo impactante na vida de uma criança, é um recurso usado somente em um momento da história, quando Lynch reencontra seu pai e decide poupar a sua vida. No resto do filme ele praticamente esquece que isso aconteceu e pelo contrário, se junta ao mesmo Credo responsável pela morte de sua mãe sem nenhuma justificativa aparente, a única razão para essa súbita mudança é uma justificativa do roteiro em terminar com uma cena de ação, nada mais.

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Por falar nas cenas de ação, essas devem ser as únicas coisas que se salvam no meio dessa confusão toda. São bem coreografadas e apostam muito no parkour para terem um efeito de agilidade em cenas de perseguição. Praticamente todas as cenas de ação se passam na Espanha do passado, uma pena é que aqui e acolá elas são intercaladas com cenas do presente mostrando uma Cotillard boquiaberta com uma cara confusa, quebrando sempre o ritmo da cena.

Aliás, esse talvez tenha sido o maior erro da história, contar duas linhas do tempo simultaneamente. Enquanto a linha temporal que se passa há 500 anos no passado mostra uma força maior de roteiro, com uma boa reconstrução tanto de cenários quanto figurino, a história atual é extremamente tediosa, com figurinos óbvios e uma trilha extremamente apagada.

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Apesar de tudo isso, Assassin’s Creed deve se tornar uma franquia nos cinemas, o próprio roteiro deixa isso escancarado ao negar ao filme um final somente pra que a sequência continue de onde este parou. Dessa forma, o filme é ainda mais desonesto, uma vez que não foi vendido como “Parte 1” de uma saga, como realmente deveria. Mas isso é esperar muito de um filme que tem uma premissa dessas e ainda assim se leva a sério.

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