Sete Minutos Depois da Meia-Noite | Crítica

sete_minutos_depois_da_meia_noite

Em geral, a inserção de elementos fantásticos em uma narrativa dramática tem o objetivo de levar o protagonista a escapar ou esquecer momentaneamente uma situação difícil. É uma forma comum encontrada por muitos autores para que personagens jovens possam lidar com traumas de infância de maneira mais leve e anestésica.

Esse parece ser precisamente o caso de Sete Minutos Depois da Meia-Noite durante os primeiros momentos da projeção. Dirigido pelo espanhol migrado para Hollywood J. A. Bayona, o longa introduz o pequeno Connor (Lewis MacDougall) como um adolescente problemático, incapaz de lidar com a perseguição dos colegas de classe, incapaz de lidar com a doença que faz a mãe (Felicity Jones) definhar cada vez mais rápido, incapaz de lidar com a perspectiva de ter de morar com a avó rígida e pouco afetuosa (Sigourney Weaver).

Quando as coisas chegam a um ponto insustentável, o garoto recebe a visita noturna de um gigante (Liam Neeson), que lhe contará três história, desde que o próprio Connor depois diga a verdade sobre seu pior pesadelo. Quando parece que tudo se encaminha para uma história fofinha de superação, no entanto, o roteiro oferece uma reviravolta interessante.

_MG_5971.CR2

As narrativas contadas pelo gigante desafiam os lugares comuns dos contos de fadas. O intuito é mostrar que na vida real as coisas podem ser mais complexas que nas histórias. Ninguém é totalmente vilão nem totalmente bom. Relações pessoais desafiam definições, porque nós mesmos somos contraditórios.

Com isso, o filme consegue alcançar algo muito difícil: usa a fantasia para fazer com que o personagem admita a si mesmo verdades muito duras e para que compreenda a extensão do sofrimento que ainda está por vir. De certa forma, a fantasia serve para que ele entenda as concessões que fazemos à nossa própria inteligência para que possamos continuar vivendo, ainda que, bem lá no fundo, saibamos o tempo todo que estamos nos enganando.

É difícil encontrar fantasias adolescentes com tal grau de complexidade. Até por não se encaixar bem nem na classificação juvenil nem na adulta, assim como pela má vontade das distribuidoras, Sete Minutos Depois da Meia-Noite tem tido dificuldade para encontrar seu público.

sete_minutos_depois_da_meia_noite3

O que é uma pena, porque além do belo roteiro e de uma direção inspirada de Bayona (que sabe o momento certo de ser violento e de ser delicado e aplica o melodrama em doses homeopáticas), o filme conta com excelentes atuações. Além do achado que é McDougall, Felicity Jones e principalmente uma contida Sigourney Weaver estão muito bem. Liam Neeson, presente em voz, sopra vida em seu monstro de forma a gerar uma criatura ameaçadora e carismática.

Quando os estúdios designam uma produção como um filme para a família, geralmente se referem a algum longa infantil que os pais terão de aturar. Sete Minutos Depois da Meia-Noite provavelmente está mais perto da definição, já que pode oferecer entretenimento e reflexão a faixas etárias diferentes. Resta ver se ao longa será dada essa chance mais que merecida por parte do público.

Cotação-4-5

Anúncios

Deixe seu comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s