Passageiros | Crítica

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O roteiro de Passageiros surgiu em 2007 na blacklist de Hollywood, uma lista dos melhores roteiros não-filmados. Desde então, houve um esforço em fazer dessa ficção científica misturada a romance sair do papel. Foi um longo caminho, que envolveu mudanças de elenco (Keanu Reeves foi o primeiro ator envolvido), diretor, e até mesmo de estúdio.

Ora, se houve tantas mudanças para o filme sair, quem garante que não houve mudanças no roteiro também? Isso, aliás, é o que geralmente mais sofre alterações durante a produção, e sou capaz de apostar que o roteirista Jon Spaihts teve que fazer alterações drásticas em seu texto, só assim para explicar como uma história tão rasa foi parar na blacklist.

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Passageiros conta a história de Jim Preston (Chris Pratt), um mecânico que está de mudança com outras milhares de pessoas a uma colônia interplanetária. Essa viagem leva 120 anos, por isso toda a tripulação está num estado de hibernação em cabines criogênicas, porém, após um forte impacto, uma falha faz sua cabine ser ativada e ele acorda faltando ainda 90 anos para chegar à colônia. Após várias tentativas infrutíferas de voltar ao estado de criogenia e de comunicação com alguém na Terra, Jim passa um ano em diversas fases: rebeldia, euforia, depressão…até que vê a cabine de uma mulher e fica obcecado por ela.

Essa mulher é Aurora Lane (Jennifer Lawrence), uma escritora. Após uma certa relutância, mas nem tanta, Jim decide despertá-la, afinal, ele está se sentindo muito sozinho. É claro que ele não conta para ela que a fez acordar, é claro que eles se envolvem romanticamente, e é claro que ela descobrirá a verdade.

E a ficção científica entra onde nessa história? Não entra, é só pano de fundo. O fato deles estarem no espaço é só um detalhe, não há em nenhum momento uma reflexão filosófica sobre a condição humana, ou a solidão na imensidão do espaço, ou mesmo sobre relacionamentos amorosos, somente clichês de historinhas de amor  e ficção científica e conveniências do roteiro para a trama seguir no seu curso previsível.

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Aliás, dizer que Passageiros é uma história de amor é no mínimo um eufemismo. O que Jim faz com Aurora é terrível, ele destrói todos os planos de vida dela pela sua satisfação pessoal, e ela, após uma situação traumática, sofre da síndrome de Estocolmo.

Ainda assim é possível sentir que o roteiro tinha uma vontade de se aprofundar na questões morais que levanta, mas ficção científica é um gênero de nicho, e o estúdio claramente quis ganhar dinheiro e, quem sabe, prêmios, contratando um diretor premiado (Morten Tyldum, de O Jogo da Imitação) e nos atores mais badalados do momento, que se apoiam apenas em seus carismas e não tem lá muita química, que estão ali por serem estrelas. Ao final, percebe-se que Passageiros é uma profusão de ideias, mas faltou coragem para explorá-las.

Cotação-2-5

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