Retrospectiva Cinematográfica 2016 | Os Melhores Filmes do Ano

Eis a nossa lista final com os melhores filmes do ano! Assim como a seleçãode piores do ano, a lista final envolveu um trabalho enorme, com cada editor montando o seu top pessoal, para somente então chegarmos aos mais votados.

A lista possui vencedor de Oscar, animação (Pixar de fora), filme indie e até longa nacional. Como é impossível delimitar o cinema de 2016 em apenas dez nomes, ainda temos a lista de menções honrosas, com filmes que também fizeram parte das seleções de nossos editores.

10. A Grande Aposta (Adam McKay)

O grande filme que conseguiu explicar matemática financeira pra quem é de humanas. O longa é baseado em fatos reais, descritos no livro ‘The Big Short: Inside the Doomsday Machine’ (de Michael Lewis), relacionados à crise financeira global de 2008. A solução encontrada por Adam McKay foi usar o humor como ferramenta indispensável na hora de explicar termos técnicos e não deixar a história cansativa.

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09. Capitão Fantástisco (Matt Ross)

O que dizer deste filminho delícia que chegou aos 45 do segundo tempo e conquistou geral? Um pai com estilão meio hiponga e que cria os filhos à margem da sociedade levanta a discussão sobre o que de fato é mais importante. O mero conhecimento teórico é suficiente para suplantar as interações sociais? A identidade de uma pessoa está relacionada ao que ela sabe, ao que ela é ou à forma como ela se apresenta aos outros? Dá para passar horas filosofando sobre o filme e ainda lembrar da atuação belíssima de Viggo Mortensen.

08. Spotlight: Segredos Revelados (Tom McCarthy)

O jornalismo costuma ser tratado de duas formas opostas e extremas no cinema: ou o repórter é um Bob Woodward (Todos os Homens do Presidente), herói pronto para derrubar governos e desmascarar esquemas gigantescos com a força de sua caneta, ou é um Chuck Tatum (A Montanha dos Sete Abutres), um sujeito mal pago (ok, essa parte é verdade) e inescrupuloso capaz de qualquer coisa para subir na vida. Esse dualismo maniqueísta só ajuda a valorizar o que o diretor Tom McCarthy, um roteiro esperto escrito em parceria com Josh Singer e uma equipe de atores fenomenais fazem em Spotlight: Segredos Revelados. Além de um retrato do trabalho jornalístico, o filme é uma crônica assustadora sobre uma cidade que vive no limiar de uma síndrome de Estocolmo, cujas instituições foram coniventes por décadas com abusos contra os próprios cidadãos dessa comunidade.

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07. Zootopia (Byron Howard e Rich Moore)

Única animação do nosso top, Zootopia conseguiu juntar originalidade com personagens carismáticos e uma boa dose de ação. Na trama acompanhamos Judy Hopps, uma pequena coelha que faz de tudo para realizar o seu sonho de se tornar uma policial. O filme acaba tratando sobre machismo, preconceitos sociais e raciais de maneira bastante fluida. Apesar da fofura de sua protagonista, o destaque fica mesmo com os funcionários bichos-preguiça do Departamento de Trânsito.

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06. Sing Street (John Carney)

O filme não chegou aos cinemas nacionais, mas já está disponível na Netflix. Sing Street acompanha a história de adolescentes que vivem em Dublin e sonham em deixar o país para se tornar futuros astros do rock em Londres. A comédia musical aborda temas como autoafirmação e o primeiro amor na adolescência, tudo regado a um bom rock autoral e a  uma ótima trilha sonora.

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05. Aquarius (Kléber Mendonça Filho)

O filme ganhou projeção por conta da treta que acabou causando em sua passagem por festivais e pelo posicionamento contundente de seu elenco. Não que o longa não apresente de fato um viés político. Ele está lá e é bem forte para quem quiser ver, mas também é muito mais do que isso. O charme todo está na forma como Kleber Mendonça Filho filma o cotidiano, pincelando a partir daí os temas que quer abordar e tornando a coisa toda um verdadeiro prazer para quem assiste.

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04. A Bruxa (Robert Eggers)

A Bruxa se prova um filme único. Consegue ser um trabalho de cuidadoso apuro artístico, com uma preocupação visual rara nos longas recentes do gênero e ao mesmo tempo uma história genuinamente assustadora sem, no entanto, recorrer aos tradicionais sustos gratuitos que já se tornaram praxe. Fugir do tradicional sempre tem suas dificuldades, que desta vez envolvem desafiar as expectativas do público, algo que o cinemão de terror está devendo. Neste caso específico, as virtudes certamente compensam.

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03. O Quarto de Jack (Lenny Abrahamson)

Neste filme de resistência e recuperação, o diretor Lenny Abrahamson se ancora nas performances excepcionais de Jacob Tremblay e Brie Larson para criar um longa que é ao mesmo tempo um melodrama, um coming of age e um thriller angustiante. É também graças ao pulso firme com que ele carrega a narrativa que a mesma evita cair no dramalhão exagerado, acabando por extrair momentos realmente comoventes no decorrer da história.

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02. Carol (Todd Haynes)

Com uma delicadeza surpreendente, o diretor Todd Haynes tece a narrativa de duas mulheres bastante diferentes que acabam encontrando uma na outra muito do que vinham procurando sem saber. Ao condensar um período em que a sexualidade era socialmente reprimida, a direção quase perfeita se une às atuações excelentes de Roonev Mara e Cate Blanchett para criar uma atmosfera superficialmente fria e retratar uma paixão contida, cujo alcance só é revelado em cenas chave do longa.

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01. A Chegada (Denis Villeneuve)

A obra baseada no conto ‘A História de sua Vida’, de Ted Chiang, captura o melhor que o gênero ficção científica pode ter: uma reflexão filosófica sobre a humanidade (afinal, um bom filme só fica conosco depois da projeção se ele dialoga com nossos sentimentos, por mais surreal que seja a história). O ótimo diretor Denis Villeneuve conseguiu mais uma vez transformar em poesia visual um tema não tão fácil de digerir. Aqui, o medo do desconhecido e a nossa relação com a morte. É, sem dúvida, um dos filmes mais sensíveis e contundentes do ano.

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Menções Honrosas:

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