Invasão Zumbi | Crítica

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Se tem uma fórmula ou subgênero de horror que está começando a cansar ou a ficar batido pelo uso excessivo, você pode contar com o cinema sul-coreano para reabilitá-lo. Este ano, essa afirmação nunca foi tão verdadeira quanto em Invasão Zumbi, longa que consegue, dentro de uma lógica estabelecida por décadas de filmes de zumbis, ainda assim surpreender e causar emoção em momentos inesperados.

Claro que a série The Walking Dead (que começou bem, mas logo encheu o saco) e a avalanche de tentativas de ganhar dinheiro fácil em cima da febre da zumbizeira acabaram prejudicando o subgênero, que nunca pareceu tão cansado e repetitivo quanto hoje. O que Invasão Zumbi faz para reverter essa sensação é bastante simples: trata de prestar mais tempo e atenção às relações humanas do que à ameaça constante.

A ideia central é mostrar diversas pessoas presas em um trem em movimento com uma horda faminta de zumbis. À primeira vista, parece ser uma simples transposição estratégica do conceito de estar trancado com o inimigo. O que faz a diferença é que a presença dos zumbis ganha significados reais para além da aleatoriedade de sempre.

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Em primeiro lugar, ela serve para revelar o lento embrutecimento de indivíduos antes capazes de ser simpáticos e solidários (um dos aspectos mais interessantes é o fato de o protagonista viver uma trajetória contrária a todos os outros, em uma demonstração notável de consideração pela moral da filha). Uma segunda questão é que estruturalmente o longa faz considerações interessantes sobre o poder do sacrifício.

Atuações impecáveis de Yoo Gong, Dong-seok Ma e principalmente da jovem Soo-an Kim ajudam a valorizar o desespero pelo qual os personagens estão passando. E ainda que não chegue a criar personas profundamente complexas em meio ao caos instalado, o roteiro sabe muito bem o que quer ao introduzir cada uma delas.

É preciso bater palmas para o diretor Sang-ho Yeon (curiosamente, antes ele só havia dirigido animações) por fazerr um argumento que inicialmente parece tão batido soar tão pulsante. Isso se deve em parte à sua capacidade de nos deixar sem ar quase que do início ao fim, e ainda assim incluir no meio da correria passagens emocionalmente significativas.

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Em parte, porém, o êxito também se deve a um roteiro preciso, cheio de pancadas, que dificilmente deixará alguém indiferente no final. Na ânsia de capturar essas ondas que ficam soltas pelo ar por períodos de tempo específicos, algumas pessoas se esquecem de coisas básicas, como desenvolvimento coerente e uma narrativa instigante, recursos necessários para 100% do cinemão mainstream de qualidade. Por sorte, nossos parceiros asiáticos parecem ter uma memória melhor.

Cotação-5-5

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