Rogue One: Uma História Star Wars | Crítica

rogue_one1Há poucos (se é que existe algum) ícones culturais que chegam aos pés da figura tétrica, vestida de negro, de voz grossa e respiração rascante, representada por Darth Vader (voz de James Earl Jones). Normalmente precedida pela inesquecível marcha de John Williams, a presença de um dos maiores vilões de nossos tempos é garantia de sucesso e grande bilheteria.

Mais do que isso, no entanto, apesar de ressuscitado da franquia original dos anos 70 e 80, é ele mesmo o responsável pelas melhores cenas e pelos momentos mais vivos de Rogue One: Uma História Star Wars, spin-off da franquia que soa desanimado e burocrático em seu desenvolvimento.

A ideia era explorar uma história conhecida apenas por alto pela maioria dos fãs: como a Aliança Rebelde conseguiu roubar os planos da letal Estrela da Morte debaixo das barbas do Império Galático –os mesmos escondidos na memória do droide R2D2 no início de Star Wars Episódio IV: Uma Nova Esperança.

A narrativa acompanha as aventuras da jovem Jyn Erso (Felicity Jones), filha de Galen Erso (Mads Mikkelsen), forçado pelo Império a trabalhar na construção da arma capaz de obliterar planetas inteiros. Ao lado de Cassian Andor (Diego Luna), do droide K2S0 (Alan Tudyk), de Bohdi Rook (Riz Ahmed), Chirrut Imwe (Donnie Yen) e Baze Malbus (Jiang Wen), ela ingressa inicialmente em uma missão para rastrear o pai.

rogue_one2Uma das maiores surpresas do filme é o fato de conseguir desperdiçar um elenco tão bacana, que ainda tem as participações de Forest Whitaker e do sempre ótimo Ben Mendelsohn, no papel do almirante Orson Krennic. As personalidades pouco desenvolvidas e o fraco relacionamento construído pela equipe acabam por minar as escolhas promissoras.

Este último, aliás, é um dos poucos que conseguem roubar a cena, em parte graças à construção de um personagem que, apesar do alto status, é inseguro e fraco praticamente na mesma medida que é inescrupuloso (aliás, é de se perguntar se, ao lado do birrento Kylo Ren, ele está ajudando a abrir uma nova era de vilões mais humanos e frágeis na franquia).

O mesmo, porém, não se pode dizer de Felicity Jones. Tudo bem que Jyn não é lá muito desenvolvida pelo roteiro, mas também fica claro que a atriz, meio apática, é incapaz por sua parte de imprimir qualquer carisma à personagem. Só para citar um exemplo, ela fica longe, muito longe de alcançar o mesmo impacto conseguido pela novata Daisy Ridley em O Despertar da Força. Talvez não tenha sido a melhor escolha para o papel.

Tudo isso prejudica o filme, principalmente porque ele tem um bom terceiro ato. A batalha final deveria ter um desenlace bastante dramático, mas pode acabar deixando o espectador frio, devido a essa falta de empatia inicial. Outra coisa que deixa a desejar é a montagem claudicante, por vezes incapaz de manter a tensão ou mesmo acompanhar os acontecimentos de maneira satisfatória.

Mas aí uma coisa engraçada acontece. A fantástica última cena do longa, muito bem realizada e com algumas presenças ilustres, fala diretamente com a nostalgia e com uma veia nerd de qualquer um que se considere fã da saga. Despedir-se dessa forma dá um alento ao filme e deixa a impressão de que ele é melhor do que realmente é. Se precisasse andar sempre com as próprias pernas, no entanto, a situação seria bem mais complicada.

Cotação-3-5

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