Animais Fantásticos e Onde Habitam | Crítica

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Algumas marcas são tão fortes no mundo de hoje que a simples relação que estabelecem com algum produto cultural, por mais distante que ele esteja, faz brilharem os olhinhos dos fazedores de dinheiro. Falando especificamente de cinema, você pode pensar na trilogia O Hobbit como o exemplo da forma como um estúdio é capaz de estragar uma boa história original apenas para esticar ao máximo suas possibilidades de lucro.

Quando a Warner anunciou o filme Animais Fantásticos e Onde Habitam (um livro que é basicamente um catálogo de animais inventados e que não tem narrativa alguma), dava para ouvir o sonzinho da caixa registradora tilintando por trás da decisão. Pior ainda foi quando anunciaram que seriam cinco longas. Porque Hollywood é especializada em criar e posteriormente destruir muito daquilo que amamos (no caso de Harry Potter, o buraco é até mais embaixo, já que não foram nem eles que criaram).

Então não deixa de ser uma surpresa que, apesar de ser um óbvio caça-níquel, Animais Fantásticos e Onde Habitam desponta apesar de tudo como um filme que tem independência da franquia original e parece ter sido criado com certo carinho por aqueles responsáveis pela produção. Tudo bem que, com J. K. Rowling arrolada como roteirista, o mínimo que se poderia esperar era um pouco da magia que tornou os livros da série tão adorados mundo afora.

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Uma das principais características positivas aqui é a criação de personagens carismáticos e memoráveis, entre eles o próprio Newt Scamander (Eddie Redmayne, finalmente em um personagem que combina com sua atuação exagerada), a atrapalhada Porpetina Goldstein (Katherine Waterston), o não-maj Jacob (Dan Fogler) e a adorável Queenie (Alison Sudol).

E, por que não, os próprios animais fantásticos, como o ladrãozinho pelúcio ou o fiel tronquilho? Ainda que os efeitos especiais nem sempre sejam [grande coisa (em alguns momentos, são claramente ruins), a graça com que os bichinhos são mostrados é linda de se ver.

Porém, se o filme acerta na construção de seus personagens e seres, não se pode dizer o mesmo da condução narrativa. A história, apesar de relativamente simples, consegue ser confusa sem necessidade alguma, com a adição de personagens e linhas narrativas que não levam a nada e acabam esquecidos pelo caminho. Notavelmente tudo que inclui Henry Shaw (John Voight) e seus filhos.

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O conflito final também é confuso e perdido, mostrando-se incapaz de provocar o impacto que pretende até mesmo em seus personagens principais, apesar de uma ou outra boa cena de ação. O engraçado é que nem mesmo isso tira totalmente a vontade de ver o que vem em seguida.

No fim das contas, essa é a diferença de um filme em que ao menos alguém botou um certo esforço criativo além do que seria necessário para simplesmente entregar aos fãs um prato morno. Que da próxima vez haja também um esforço de Rowling para tornar a coisa um pouco mais coesa.

Cotação-3-5

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