Doutor Estranho | Crítica

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Muitas coisas são ditas sobre universo cinematográfico da Marvel, mas elogios ao visual de seus filmes raramente estão entre elas. Ainda que tenha longas indicados ao Oscar de efeitos especiais, o estúdio agora dá um passo largo nesse quesito com Doutor Estranho.

O filme talvez seja o que mais apresenta oportunidades para esse tipo de evolução nestes 8 anos da Marvel nos cinemas. Desde suas primeiras aparições pelas mãos do artista Steve Ditko, nos anos 60, o Doutor sempre teve à sua disposição, além do misticismo inerente ao personagem, uma gama maior de paisagens e visuais psicodélicos do que qualquer outro personagem da editora.

No filme, essas viagens lembram em alguns momentos, como muita gente já apontou, aquela odisseia em ácido de 2001: Uma Odisseia no Espaço. Em outros, principalmente quando faz a realidade urbana transformar-se e dobrar-se sobre si mesma, se parece muito com A Origem. Em termos de efeitos, sem dúvida duas companhias excelentes.

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Surpreendentemente, o longa investe longos minutos nessas sequências psicodélicas, no que talvez seja a aposta mais corajosa da Marvel até o momento em termos estéticos, ao menos para a realidade padronizada da produtora. Os efeitos causam tanto estranhamento que, mesmo com o longa assumindo uma narrativa de origem bem dentro dos moldes característicos, muitos devem sair da sessão se sentindo meio zonzos.

E, se a parte visual é o carro chefe do filme, o elenco vem logo atrás, com um Benedict Cumberbatch seguro e extremamente carismático no papel principal. De muitas maneiras, o personagem faz lembrar o arrogante Tony Stark, mas possui também uma certa leveza e um altruísmo inicialmente oculto que acabam por diferenciá-lo.

Quem rouba o show mesmo, no entanto, é Tilda Swinton como a Anciã, uma mestre das artes místicas que se torna mentora de Strange. Deixando de lado a polêmica da escalação de uma não-asiática para o papel, a verdade é que ela traz um jorro de estranheza e originalidade para uma personagem que tinha tudo para ser uma fábrica de clichês ambulante. De quebra, é a responsável pela cena mais bonita do filme e talvez da Marvel como um todo nos cinemas até agora.

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Chiwetel EjioforRachel McAdams e Benedict Wong também estão ótimos em papéis com menos destaque. A segunda acaba caindo no perfil do interesse amoroso meio apagado, mas tem boas cenas. Já Mads Mikkelsen, ator em geral excelente, é desperdiçado em um vilão fraco (como 99% dos vilões da Marvel, aliás), que serve mais como escada para a trama do que como uma ameaça real ao protagonista.

Apesar de não inovar em nada na narrativa, Doutor Estranho reencontra a diversão de filmes anteriores como o primeiro Homem de Ferro e Guardiões da Galáxia, com algumas ótimas tiradas de humor e cenas de luta particularmente inventivas, auxiliadas por cenários que beiram o surreal. Até na tradicional última luta o roteiro dá um jeito de ser um pouco menos padrão e conclui a coisa de maneira diferente (afinal, Estranho é um mágico, não dá para ficar resolvendo tudo só na porrada).

A Marvel é quase sempre melhor quando não se leva a sério demais (com exceção do ótimo Capitão América: O Soldado Invernal). Se conseguir manter-se divertida como é este Doutor Estranho, uma de suas produções mais leves, bem realizadas e bacanas de assistir, a produtora deve continuar atraindo multidões aos cinemas ainda por muitos anos. Outros tropeços recentes, porém, mostram que a tarefa não é tão fácil quanto parece.

Cotação-4-5

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