O Contador | Crítica

Numa determinada sequência de O Contador, o protagonista, Christian Wolf (Ben Affleck), mata de forma violenta um homem, e em seguida acena de forma tímida para o casal que o recebia em sua fazenda, foram feitos de reféns pelo homem assassinado e testemunharam atônitos toda a ação. O “tchauzinho” de Wolf após toda a sequência resume bem o que é o filme: uma mistura de ação, thriller e comédia feita de forma tão pouco sutil que jamais consegue ter uma identidade.

Imagine aquele contador que faz seu imposto de renda ser na verdade um assassino super bem treinado em diversos tipos de luta, trabalhar na contabilidade de mafiosos mas doar tudo o que ganha em pesquisas sobre autismo, porque ele próprio é um, sendo ultra perfeccionista e colecionador de obras de arte e revistas em quadrinhos raras?

Bem, este é o plot de O Contador, e nessa história violência, terror psicológico e humor são alternados com bipolaridade, ou melhor, “tripolaridade”. E nós, espectadores, nunca sabemos o que há por vir, suspense, aversão ou risos.

Isso seria bom, se fosse executado de forma mais competente, mas o diretor Gavin O’Connor (que escreveu e dirigiu o drama de boxe Guerreiro), não conseguiu fazer uma mistura fina de todos estes elementos, e o resultado final é uma gororoba difícil de digerir. Talvez se o roteiro de Bill Dubuque (O Juiz) fosse adaptado para uma série, com mais tempo para desenvolver os personagens, a história ficasse mais interessante. Mas twist atrás de twist em duas horas acaba gerando o efeito contrário, ficando previsível.

O que salva em O Contador é o carisma de seu elenco, Ben Affleck pôde fazer um laboratório sobre seu Batman aqui, já que há várias características comuns, e sua tentativa de fazer humor de forma desajeitada mas sutil funciona. Já Anna Kendrick está fazendo seu papel mais usual. o que surpreende é sua química com Affleck, que parece algo inimaginável.

Outro eco de Batman que encontramos é o agente federal vivido por J. K. Simmons, que sem saber fazia sua audição para comissário Gordon. Já o antagonista Brax (Jon Bernthal) fica perdido em parecer mau e ameaçador ao mesmo tempo que tenta encontrar um fiapo de humor para se encaixar na história, e quem é mais atento entenderá logo no segundo ato o porquê de um personagem tão bidimensional ter tanto tempo de tela.

O Contador é confuso como uma declaração de imposto de renda para uma pessoa de humanas, parece complexo, mas na verdade não é, não sabe o que quer ser e nem quem caminho tomar, por isso atira para todos os lados, mas, por sorte, tem um batman sem máscara e capa para salvar o dia.

Cotação-2-5

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