Inferno | Crítica

Dizem que em Hollywood já não há mais espaço para um protagonista como Tom Hanks, aquele cara “gente como a gente”, em que o público se identifica por ser o herói possível. Bem, numa indústria cada vez mais tomada por super-heróis e seus intérpretes bombados e/ou excêntricos, fica difícil mesmo o ator bicampeão do Oscar encontrar um lugar sob os refletores. Assim como o autor Dan Brown, que lá no início dos anos 2000 virou febre mundial com seu Código da Vinci, que num fenômeno se reproduziu em dezenas de teorias sobre a teoria. Hoje encontramos seus livros em prateleiras de lojas de conveniência por menos de trinta reais.

Mesmo não havendo mais tanto interesse nem por Hanks, nem por Brown, Hollywood ainda aposta suas fichas em mais uma história de Robert Langdon, e isso é louvável. Só uma pena que a execução não se cumpre com a competência necessária para se fazer ator e autor relevantes de novo.

Há dez anos, o Código da Vinci estreou em meio a muito hype e vimos na tela o professor Langdon desvendando o mistério da família de Cristo através da obra mais famosa do renascentista da Vinci, a Monalisa. Três anos depois, mais um livro adaptado, Anjos e Demônios (Robert Langdon vs. Iluminatti), que já não veio com tanta expectativa, mas cumpre o requisito por ser um ótimo entretenimento.

Já Inferno chega sete anos depois da última aventura no cinema, novamente dirigida por Ron Howard que, apesar de parecer estar dirigindo a toque de caixa (seu filme anterior estreou em dezembro passado) e talvez por isso tenha errado feio em muitos casos (salvo exceções, como o excelente Rush), pelo menos não se pode dizer que ele soa repetitivo, pelo contrário, tanto nos gêneros quanto no estilo, o diretor se inova. Nesta terceira obra adaptada, Howard optou por uma câmera mais frenética e fora do foco tanto dos ambientes quanto dos personagens, o que ajuda o espectador a sentir a confusão mental de Langdon e aumenta o ritmo da ação.

Na trama, o professor acorda num hospital e tem alucinações constantes com imagens do Inferno de Dante Alighieri e, mesmo sem memória recente, precisa desvendar o mistério pro trás da obra a fim  de encontrar uma arma química capaz de alastrar uma praga que irá dizimar metade da população mundial. O vilão aqui (vivido pelo ótimo mas subaproveitado Ben Foster) não faz parte de nenhuma organização secreta, é um bilionário com teorias bem pessimistas sobre o fim do mundo, e para isso ele precisa matar pessoas para evitar a morte de pessoas. A lógica dos tiranos, como diz Langdon.

Como não poderia deixar de ser, o professor tem ao seu lado uma ajudante jovem e bela quase tão esperta como ele, aqui vivida por Felicity Jones, que em breve estrelará mais uma aventura Star Wars, Rogue One, e aqui ficou minha maior preocupação: Jones já mostrou ser boa atriz, foi indicada ao Oscar (por A Teoria de Tudo), mas sua falta de carisma e tempo de humor aqui dá uma certa preocupação se ela dará conta de um blockbuster ainda maior. Apesar de Inferno ser uma história cheia de violência e seriedade, há sempre alguns momentos sutis de humor, para dar aquela quebrada no peso, mas quando Hanks passa a bola para Jones, ela simplesmente não pega.

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A trama ainda tem espaço para uma história de amor mal-resolvida, que não aparece deslocada e a forma sutil como é introduzida é até um ponto positivo do filme e, claro, como não poderia deixar de ser, reviravoltas, muitas, diga-se de passagem, quase em excesso. Para quem leu o livro, dizem que o final é bem diferente. Ora, talvez se tivessem mantido o original a trama ganhasse um pouco mais de substância e não fosse apenas mais um dia salvando o mundo de vilão lunático.

Cotação-3-5

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