Festa da Salsicha | Crítica

festa_da_salsicha Esta é provavelmente a primeira e última vez que você vai ver uma salsicha fazendo sexo com um pão de hot dog numa tela de cinema. Esse ineditismo é, sem dúvida, um dos grandes trunfos de Festa da Salsicha, uma animação para adultos dublada por alguns dos principais atores de comédia atuais, como Seth Rogen, Kristen Wiig, Jonah Hill e Michael Cera.

O filme narra as desventuras da salsicha Frank (Rogen) e da pão de hot dog Brenda (Wiig), que buscam deixar o supermercado onde vivem em direção ao mundo para além das grandes portas de vidro. Na loja, há um universo multifacetado em que cada produto e marca reproduz um padrão do mundo real, quase sempre de forma caricatural (e muitas vezes propositalmente ofensiva).

Então você tem a rosca Sammy Bagel Jr. (Edward Norton), um judeu que fala exatamente como Woody Allen e está em luta constante contra o lavash (pão típico da Armênia) Kareem Abdul Lavash (David Krumholtz), reproduzindo o eterno conflito entre israelenses e palestinos. Ou uma goma de mascar (Scott Underwood) de cadeira de rodas fazendo a vez como o produto mais inteligente do mundo, em uma clara alusão ao físico britânico Stephen Hawking.

festa_da_salsicha2Assim, para completar a alegoria, todos os tipos de produtos têm sonhos diferentes com o Grande Além que fica depois das portas do supermercado, onde seus deuses (nós, humanos) os levarão a uma vida de prazeres e delícias. O problema começa, é claro, quando eles descobrem que a realidade aqui fora não é bem essa.

Por vezes, Rogen e sua trupe, que inclui Evan Goldberg, também roteirista de É o Fim, cai em um erro que é uma constante em sua carreira: o exagero. Na ânsia de transgredir os limites, há sim uma certa forçada de barra nas piadas sobre sexo, preconceito e mutilação. Parece forçada não porque passa dos limites, mas porque em alguns momentos é palpável a maior preocupação em ser transgressor do que em ser engraçado. E isso se reflete em alguns sorrisos amarelos e frouxos.

Não significa que o filme não tenha momentos hilários, porque tem. O roteiro é irregular, mas acerta bastante também. É o caso dos 20 minutos finais, que unem com perfeição o humor transgressor (não vou contar o que acontece para não estragar a surpresa) e as risadas.

festa_da_salsicha3Portanto, Festa da Salsicha tem sua cota de problemas, mas são tantas as coisas que soam frescas e até novas para o cinema mainstream (dá até para imaginar a dificuldade que foi para um grande estúdio conseguir tirar um projeto desses do papel) que o simples fato de o filme existir não deixa de ser um grande triunfo.

Cotação-3-5

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