Sete Homens e um Destino | Crítica

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Existem ao menos duas regras não escritas no manual dos bons remakes. A primeira é que jamais farás remake de um filme clássico (que já foi quebrada dezenas de vezes, invariavelmente com resultados desastrosos). A segunda é que jamais deverás fazer um remake de outro remake.

Esta última foi violada mais recentemente com a nova versão do faroeste clássico Sete Homens e um Destino, que por sua vez já era uma versão do grande clássicos Os Sete Samurais, do gênio Akira Kurosawa. Não surpreende, portanto, que o remake capitaneado por ninguém menos que Denzel Washington e dirigido pelo quase sempre medíocre Antoine Fuqua seja menor que seus antecessores. O que surpreende é que seja, de fato, bem bacana.

É difícil não se conectar de alguma forma com esses filmes em que o protagonista precisa reunir uma equipe de notáveis para realizar um último serviço. Sete Homens e um Destino traz uma versão modernizada da premissa, que tem mais a ver com a agilidade de um Onze Homens e um Segredo (que, vejam só, também é remake) do que com a relativa tranquilidade de seus progenitores.

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A fórmula é simples. Washington é o chefe, Chris Pratt é o apostador beberrão, Ethan Hawke é o grande atirador com um passado negro, Lee Byung-Hun é o oriental bom com facas, Vincent D’Onofrio é o gigante da força física, Manuel Garcia-Rulfo é o mexicano brincalhão e Martin Sensmeyer, o índio honrado e sisudo.

Todos trazem algo de diferente para a equipe, é claro, mas aqui eles também soam um pouco mais verdadeiros do que é usual. Sua interação nunca cai na galhofa e há até uma ameaça palpável, para além da pura brincadeira, entre Pratt e Rulfo, por exemplo, ou um sentimento de verdadeira camaradagem, que nem sequer precisa ser verbalizada, entre os personagens de Hawke e Byung-Hun.

Toda essa preparação leva a um clímax que faz jus ao que o longa constrói, sendo emocionante, sanguinário, divertido, engraçado e dramático, tudo ao mesmo tempo. É o grande mérito do filme conseguir construir a sequência de acontecimentos de forma suficientemente crucial para que sintamos muito por cada personagem que se vai, mas também compreendamos que sua morte era inevitável. Nesse sentido, ele consegue ser muito fiel à fonte de que bebe.

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Afinal, Sete Homens e um Destino pode não ir muito além de uma diversão passageira, mas ao menos é uma ótima diversão passageira, que, se não chega perto de ser memorável como seus antecessores, ao menos te deixa sair do cinema com um sorriso no rosto. Nesta fraca temporada de blockbusters, isso é o equivalente a um sucesso esmagador.

Cotação-3-5

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