O Homem nas Trevas | Crítica

homem_nas_trevasAlguns dos melhores filmes de terror de todos os tempos possuem premissas bastante simples e um diretor que sabe o que faz por trás das câmeras. Não consigo pensar em um exemplo recente melhor do que este O Homem nas Trevas.

A história pode ser resumida em uma única frase: Três jovens ladrões decidem invadir a casa de um veterano militar cego no que seria o maior roubo de suas vidas, mas a vítima acaba se mostrando menos indefesa do que parecia. A partir daí, o trabalho fica por conta do cineasta Fede Alvarez, apenas em seu segundo filme (o primeiro foi um remake de Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio, lançado em 2013).

Com sequências plasticamente fantásticas e bem planejadas, O Homem nas Trevas é talvez um exercício de masoquismo para o espectador. Trata-se da uma hora e pouco mais tensa que vi este ano. O longa não deixa um único minuto de respiro, fazendo com que nos sintamos quase tão ameaçados quanto os protagonistas –e que inevitavelmente simpatizemos com eles, apesar de serem, ao menos a princípio, a parte criminosa da questão.

homem_nas_trevas2Stephen Lang faz um excelente trabalho como um homem perturbado, quase animalesco em suas ações, sem nunca deixar de mostrar uma certa vulnerabilidade. Dylan Minnette e, principalmente, Jane Levy, também estão bem, avançando com fluidez do papel de assaltantes para o de vítimas no mais completo desespero.

O grande destaque do filme, no entanto, não está nas atuações, mas no uso do som. Ou melhor, do silêncio. A grande sacada da premissa, perfeita para o desenvolvimento do suspense, é que o silêncio acaba se tornando a única arma dos protagonistas contra seu inimigo. Portanto, um recurso em geral subestimado pelos filmes de terror convencionais, que abusam de trilhas sonoras altíssimas e explosivas, o silêncio faz aqui uma aparição de gala, em grande parte responsável pelo sucesso do filme.

Há ainda uma reviravolta que pode parecer um tanto previsível, mas que leva a uma sequência deliciosamente chocante e insere o longa dentro de um contexto um pouco mais vasto, ainda que ele jamais se preocupe em aprofundar o debate (não que precisasse, necessariamente).

homem_nas_trevas3Mesmo que não seja  um filme de horror per se, O Homem nas Trevas se insere em uma onda de renovação do gênero, que nos últimos anos teve outros ótimos exemplares, como Babadook, Corrente do Mal e A Bruxa. O terror tradicional vinha em uma sequência ruim anteriormente, e essa leva, ainda que nem sempre inovadora ou revolucionária, tem sido muito bem-vinda.

Só para dar o exemplo, esta semana teremos ainda a estreia do remake de A Bruxa de Blair (pois é), que vem recebendo alguns elogios da crítica lá fora. Tomara que ele corresponda às expectativas e mostre que, até mesmo nas inevitáveis repetições, o gênero ainda tem gás para se reinventar.

Cotação-4-5

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