Star Trek – Sem Fronteiras | Crítica

Há 50 anos (mais especificamente 08 de setembro de 1966) estreava nos EUA a série de ficção científica Star Trek, com Leonard Nimoy e William Shatner como Spock e Capitão Kirk, respectivamente. E apesar de ter durado apenas três temporadas, ganhou status de cult e tornou-se objeto de adoração nerd, ganhando diversos spin offs na TV e vários filmes.

Porém, embora tenha fãs ardorosos no mundo todo, a franquia Star Trek nunca tinha sido considerada mainstream, alcançando sempre somente um nicho. Isso até o mestre J. J. Abrams apropriar-se do cânone e fazer um reboot em 2009 que popularizou os tripulantes da Enterprise aos civis que nunca tinham visto nada da série, seja na TV ou no cinema. É o caso da crítica que vos escreve, que hoje é fã.

O mais legal de Star Trek, além de ser ficção científica por excelência e brincar com os elementos do gênero, não é o tal cânone que faz a gente querer seguir as histórias filme por filme, como em Star Wars. Não, o mais legal de Star Trek é a celebração da diversidade. Em 1966, num Estados Unidos em que ainda haviam lutas civis por igualdade racial e em plena guerra fria, Gene Roddenberry cria a história e uma federação intergalática onde todas as espécies vivem em paz, graças aos esforços diplomáticos das tropas estelares. A principal delas, da emblemática nave Enterprise, possui em sua tripulação, ao redor de Kirk, uma mulher negra, um russo, um japonês, além de vários personagens extraterrestres de diferentes “etnias”. É ou não é revolucionário?

E culminamos 50 anos depois em Star Trek: Além das Fronteiras, no qual vemos o capitão Kirk (Chris Pine) e sua tropa três anos após os acontecimentos do último filme (Além da Escuridão), e ele refletindo sobre a vida no espaço que, por ser infinito, é uma missão interminável, não tem sequer um caminho exato a seguir em sua vastidão, e isso pode cansar, ou pior, pode fazer sua mente se perder e fazê-lo esquecer quem é de verdade. Essas questões de Kirk são o ponto-chave da trama com o vilão, Krall (Idris Elba), cuja motivação para querer destruir a federação é a demonstração do limite que pode chegar o sentimento que Kirk vem experimentando em relação à vida na tropa no início da trama.

A trama da ação é na verdade bem simples, a tropa tem uma missão num país hostil, onde é atacada e parte para o resgate de seus membros e consequente combate ao inimigo. Mas em meio a tudo isso podemos ver com clareza a ode à diversidade que permeia toda a obra. Os integrantes da frota são separados em pares, e vê-los interagindo e mostrando um pouco mais de suas personalidades os humaniza, não sendo apenas peças coloridas para deixar o conjunto apenas politicamente correto.

É bem perceptível também a mudança de visual do filme com a troca de diretor, já que J. J. Abrams saiu para dirigir o episódio VII de Star Wars e quem ocupou sua vaga foi Justin Lin, responsável por quatro Velozes e Furiosos. Saíram os flares e câmeras movimentadas típicas de Abrams, e deram lugar a um ambiente mais escuro, mas também a cenas de ação mais frenéticas, com várias coisas acontecendo paralelamente e a câmera seguindo os corredores da Enterprise, que mais parece um labirinto. Entretanto uma característica típica da franquia foi mantida: todos os extraterrestres foram criados “artesanalmente”, ou seja, nada de cgi, aqui é látex e maquiagem meu bem!

No final das contas, Star Trek: Sem Fronteiras é um grande e bom episódio da série que, cheio de humor, referências e homenagens (à Leonard Nimoy é bem bonita), entrega uma história que entretém, além de nos mostrar um ideal de união contemplando a diversidade que a sociedade hoje ainda está longe de alcançar.

Cotação-4-5

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