Pets – A Vida Secreta dos Bichos | Crítica

Hoje em dia, nossos animais de estimação vivem melhor do que a gente, se tem um negócio que vai bem mesmo com crise econômica, são as pet shops. Bichinhos são tratados como bebês, talvez para nos suprir da solidão do mundo cada vez mais individualista, na qual os relacionamentos estão ficando cada vez mais virtuais, ou talvez seja mais um reflexo da geração millenium (e esta é a segunda crítica seguida em que falo dela), cada vez mais imatura.

Mas é verdade que os bichinhos dão alegria à nossas vidas, seja um cão fazendo festa toda vez que chegamos em casa, seja um gato (ou vários) que se aconchega conosco na cama. Do jeito que o mundo está, é preferível mesmo a companhia dos fofinhos.

Sendo assim, um longa de animação sobre eles não é mais do que óbvio, não? É claro que eles são presença constante neste gênero, mas até hoje é incrível que ainda não tivessem feito uma história totalmente centrada na vida doméstica dos bichinhos, sob o ponto de vista deles próprios. Ou talvez justamente pela obviedade que a Pixar descartou a ideia, e sobrou para a Universal (mesmo estúdio dos Minions), desenvolver a ideia.

O que é uma pena, pois o que poderia ser uma história emocionante, seja pela aventura, seja pelo lado emocional – para fazer chorar qualquer amigo dos animais – tornou-se um filme genérico, com situações clichês que já vimos centenas de vezes em qualquer desenho animado numa manhã de sábado na TV.

Pets conta a história de Max, um cãozinho que vive em Nova York, num daqueles prédios de tijolos vermelhos e escadas de incêndio, e vemos o cotidiano dele e seus amigos, outros animais de estimação, ao som de jazz. Nada mais Nova iorquino, e este detalhe é o que dá um pouco de charme ao longa, porém, para quem tem pouco conhecimento sobre a capital do mundo, as referências não terão muita graça.

Max espera ansiosamente por sua dona todos os dias, na porta, como um bom cachorro carente, embora possa ter várias distrações, mas num belo dia sua dona aparece com um novo cachorro, o enorme e felpudo Duque, e sua confortável e rotineira vidinha vira de ponta cabeça. Daí para brigarem, aprontarem um com o outro num passeio no parque e acabarem se perdendo e conhecendo o “submundo” dos animais sem dono é um pulo. Pra encontrarem o caminho de volta, haja fuga e perseguição, de todas as forma possíveis e imagináveis.

pets 3

Daí é só clichê ladeira abaixo, eles encontram uma gangue de animais liderada por um coelhinho fofo, claro que dá confusão, eles também têm que fugir da carrocinha, claro que também dá confusão, além da busca de seus amigos do prédio para encontrá-los, que, obviamente, gera muita confusão. O problema de Pets é que, além de não valorizar a relação animal-dono, também pouco mostra a tal “vida secreta” no ambiente doméstico, é só aquilo que vimos nos trailers. Além de tudo, há ainda situações de humor negro que flerta com a violência que não funciona com as crianças tampouco com adultos.

Falta sentimento em Pets, falta nos fisgar pelo amor mútuo que só quem tem um bichinho esperando em casa todos os dias sabe o que é, que vai além dos vídeos engraçados de animais aprontando que esquecemos num minuto.

Cotação-2-5

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