Quando as Luzes se Apagam | Crítica

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O terror, é claro, foi um dos gêneros que mais se beneficiaram dos devastadores efeitos da escuridão desde os primórdios do cinema (além do noir e do suspense). É até raro, na verdade, encontrar nos filmes de horror alguma assombração que estenda seus poderes para o período do dia. Se o faz, trata de somente atormentar os vivos dentro de ambientes já naturalmente macabros, como sótãos trevosos e porões repletos de relíquias assustadoras (lugares que, por servirem de receptáculos para memórias e objetos esquecidos ou indesejáveis, já são fontes de muitos terrores cotidianos).

O sueco David F. Sandberg deu um passo além nessa história e em 2013 lançou o assustador curta Lights Out, em que o fantasma não apenas vive nas sombras, mas vive somente nelas (veja aqui, é rapidinho).

O vídeo fez bastante sucesso, Hollywood descobriu e o resto você já sabe ou imagina.

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O que não dava para prever era que o filme Quando as Luzes se Apagam acabaria fazendo jus ao material que o originou, com as bases do terror utilizadas de forma criativa, econômica e efetiva, além boas atuações e personagens que inspiram mais do que mera simpatia ou pena pelo que deverá acontecer a eles.

Não prejudica nada o fato de o longa acertar bastante na representação que faz da depressão e da instabilidade emocional que afligem a personagem de Maria Bello, transformando o monstro em uma personificação (que afeta todos à sua volta) dos efeitos causados pela perda do marido (Billy Burke). Basta notar que, excluídos os elementos de terror, o filme passaria a narrar a tentativa de reconciliação dos membros de uma família entre si e com seu passado após uma terrível tragédia.

Teresa Palmer, que vive a protagonista, não vem tendo muita sorte na escolha de seus projetos para o cinema, mas é uma atriz interessante que, mesmo em filmes ruins, costuma ser um destaque positivo. Aqui ela está bastante firme e cria uma personagem crível, que poderia facilmente ter caído na mesmice, pois é construída em cima de estereótipos.

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O sucesso do filme, no entanto, se ancora mesmo em uma das mais importantes regras do horror, em geral esquecida ou deixada de lado por mãos menos preparadas: demore para mostrar seu monstro. Se possível, nem mostre.

Quando as Luzes se Apagam não vai tão longe, mas sua premissa lhe permite que Diana (Ava Cantrell/Alicia Vela-Bailey), a assombração da história, permaneça quase sempre nas sombras, como uma presença constante que volta a ameaçar quando ocorre alguma distração. Há também aqueles sustos de que o fã de horror tanto gosta, mas aqui eles funcionam porque existe uma atmosfera muito bem construída por trás.

Não que seja um filme que pretende redefinir as bases do terror no cinema. Mas a verdade é que estamos tão carentes de um bom cinema de horror mainstream que qualquer longa capaz de jogar de acordo com as próprias regras e ainda brincar com os clichês do gênero, evitando cair em eventuais armadilhas, já parece algo bem próximo de um milagre.

Cotação-4-5

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