Esquadrão Suicida | Crítica

esquadrao_suicidaAssim como o peixe morre pela boca, algumas pessoas diriam que, em plena era do megablockbuster, há filmes que morrem pelo hype. Essa tem sido uma das discussões entre quem acha que, dada a elevada taxa de antecipação dos filmes da DC, vem se tornando impossível para eles corresponder às expectativas.

Ainda que isto possa ser verdade (a ver), a parceria Warner/DC tem um problema muito maior e mais sério à vista. A produtora parece estar dividida entre a promessa inicial de fazer filmes mais dark do que a Marvel e a tentação de buscar um caminho fácil copiando o modelo um pouco mais despojado e piadista, que já provou ser comercialmente bem-sucedido, da arquirrival.

A estranha divisão certamente foi uma das responsáveis por este Esquadrão Suicida, ou ao menos pela versão do filme que chega aos cinemas esta semana. Quem viu Quarteto Fantástico ano passado vai ter uma sessão de déjà vu com o filme, já que aqui, tanto quanto lá, o dedo do estúdio no trabalho de direção e edição é tão óbvio que o longa mais parece um amontoado de ideias marqueteiras (e muito ruins) do que propriamente um filme.

esquadrao_suicida2Para se ter uma ideia da bagunça, o início do filme introduz e apresenta alguns personagens na trama nada menos que duas vezes. Em um dos casos, três.

Já a trilha sonora, que vai de “Super Freak”, de Rick James, passando pela “Without Me”, do Eminem, até “Bohemian Rapsody”, do Queen, deve ter parecido bastante “cool” e divertida para os produtores. É a única coisa que explica usarem até três músicas diferentes no espaço de um minuto, sem contexto algum.

Isso causa anomalias, feito músicas emendadas uma na outra, como se o filme estivesse apenas trocando de um clipe musical a outro, e sequências que contrastam muito mal com a trilha sonora. É nítida a tentativa de estabelecer um tom tão divertido quanto o mostrado nos trailers, o que aparentemente não fazia parte do plano inicial do diretor David Ayer.

SUICIDE SQUADO roteiro também não é exatamente um primor. Além de diálogos expositivos e repletos de clichês, há também situações já vistas milhares de vezes antes, com o plus de serem picotadas por uma edição esquizofrênica e francamente mal feita –relatos dão conta de que o responsável pelo trailer foi chamado de última hora para reeditar o filme.

Essa edição problemática é talvez o maior problema e ajuda a tirar o pouco que havia de carisma em alguns dos personagens. Viola Davis ainda é o grande destaque positivo do elenco, como a fria e implacável Amanda Waller. Will Smith trabalha com um fiapo remendado de personagem, mas consegue dar humanidade ao Deadshot até mesmo nas cenas exageradamente melodramáticas que envolvem sua relação com a filha. A surpresa talvez fique por conta de Jai Courtney, geralmente apático, mas que aqui tinha potencial para fazer algo interessante e engraçado com seu Capitão Bumerangue. Uma pena que o personagem apareça pouco e tenha umas cinco falas ao longo do filme todo.

Pelo lado negativo, vale começar por Margot Robbie como a Arlequina, a personagem mais incensada nos trailers. De fato, ela protagoniza algumas falas “hilárias”, mas a atriz soa quase sempre artificial e a tal loucura da personagem, repetida à exaustão, se parece com algo extremamente calculado e, portanto, não tão louco assim. Jared Leto é um gângster que usa a maquiagem do Coringa e faz a risada do Coringa, mas, fora isso, não tem nada do personagem (o que é parcialmente sua culpa, mas no geral cai mais nas costas do roteiro). Cara Delevingne consegue ter a atuação mais constrangedora, em parte porque ela realmente interpreta a personagem mais constrangedora do longa.

esquadrao_suicida4No final, quando a equipe se une para inevitavelmente lutar contra uma grande ameaça, é até difícil torcer por alguém ou crer que aqueles personagens sofrem um perigo real. E, o pior, se sofrem, é difícil se importar. Além disso, eles interagem muito pouco entre si e, quando o fazem, fica claro que é por uma imposição do roteiro, sem nenhuma naturalidade. Assim, no momento em que um deles diz que são uma família, isso soa como uma afirmação não apenas forçada, mas profundamente falsa.

Mais que o tom de seus longas, a Warner/DC deveria estar preocupada com um outro detalhe essencial: descobrir que diabos quer fazer. A produtora parece tentar criar um grande filme, mas aplicando a ele uma mentalidade puramente comercial. Não é preciso ser gênio para ver que não está dando certo.

Então, sugiro uma das duas opções: ou dá a tão alardeada independência a seus diretores (e faz escolhas melhores que Snyder e Ayer), sem intervenções de última hora, ou admite logo de início, como a Marvel, que será preciso adaptar-se a uma certa fórmula limitadora para fazer sucesso. De uma forma ou de outra, a perspectiva é melhor. E, de lambuja, evita o vexame.

Cotação-1-5esquadrao_suicida_posterEsquadrão Suicida (Suicide Squad)

Gênero: Ação, Aventura, Comédia

Direção: David Ayer

Roteiro: David Ayer

Elenco: Viola Davis, Margot Robbie, Will Smith, Joel Kinnaman, Cara Delevingne, Jared Leto, Jai Courtney, Jay Hernandez, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Karen Fukuhara Ike Barinholtz, Scott Eastwood, David Harbour, Adam Beach

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