Jason Bourne | Crítica

Jason Bourne

Quando Matt Damon invadiu as salas dos cinemas com seu Jason Bourne lá em 2002, mal sabia ele que o personagem iria entrar para os anais cinematográficos como um arauto da transformação dos filmes de ação, especialmente dos filmes de agentes secretos. Não precisa ser um especialista para notar a mudança de tom que invadiu os filmes da franquia Missão: Impossível e James Bond, que passaram a beber nitidamente da fonte do agente desmemoriado.

E em uma parceria batuta com o diretor Paul Greengrass Bourne se transformou em franquia e dominou a década, elevando de vez o gênero tiro, porrada e bomba que se leva a sério a outro patamar. Natural, portanto, que quem cria a tendência tenha sobre si os olhos ávidos e vigilantes da exigência. Verdade também que o pastel de chuchu que foi O Legado Bourne (o spin off sem sal da franquia) fez aumentar as expectativas de um novo Bourne com os personagens originais.

Pois em Jason Bourne (idem), quarto filme da franquia, o agente é novamente jogado numa trama onde descobertas sobre o seu passado vem à tona. Bourne estava de boas vivendo uma existência feliz fazendo cosplay de Topper do Top Gang e esmurrando infelizes em troca de um dinheirinho. Mas como só o vil metal não é o suficiente na vida de um homem ele decide aceitar o chamado de sua antiga aliada, Nicky Parsons (Julia Stiles), que está disposta a revelar um programa secreto da CIA que envolve a participação do pai de Bourne.

Jason Bourne

Pode-se dizer que Greengrass engata uma quinta logo de cara e o filme acelera num frenesi típico do diretor. E tome câmera tremida, cortes rápidos e zooms que amplificam a tensão. Chega a ser cansativo, pois são raros os momentos de respiro. São quase duas horas sem sair de cima, onde a ação ocorre basicamente em duas frentes: no gabinete, onde os diálogos parecem possuir permissão para serem expositivos, e no campo propriamente dito, onde Bourne desce o sarrafo nos oponentes.

Essa é uma dualidade já consolidada na franquia e os personagens de Tommy Lee Jones e Alicia Vikander não representam nenhuma novidade que não seja a disputa do velho versus o novo, embora o façam bem. Talvez seja o personagem de Vincent Cassel que adiciona o componente realmente novo ao tornar pessoal a motivação do seu vilão.

Não é só a pessoalidade do herói ou do vilão, pois o tema pulsa em Jason Bourne. Há uma questão importante para a trama que envolve a liberdade do cidadão em contraponto aos interesses das agências de segurança pública. O novo Bourne parece compreender que não existe identidade (ou pessoalidade) se ela não for de todos. Liberdade, pessoalidade e privacidade só existem como tema de realização do indivíduo se existirem dentro da totalidade da comunidade.

Jason Bourne

Não é à toa que existem no filme no mínimo três grandes cenas onde a há monitoramento individual com a ação se desenrolando no meio das multidões. Como se Greengrass soubesse que é junto das massas, oculto e inserido em uma ideia de coletivo, que Bourne se torna de fato um humano em paz com seu passado, como um indivíduo que pode fazer a diferença.

Mas ok, concordarei que Jason Bourne não é tão excelente quanto seus predecessores, é verdade. O nível é muito alto e, para alguém que estava há quase dez anos sem ritmo de jogo, até que dá pra espanar com dignidade a poeira das juntas. E, sejamos justos, na comparação ele definitivamente deixa o seu genérico no limbo dos filmes sem personalidade.

Cotação-4-5

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