A Lenda de Tarzan | Crítica

A Lenda de Tarzan

Dá pra se perder nas contas com a quantidade de vezes com que Tarzan ganhou vida nas telas. De memória eu conseguiria enumerar umas cinco ou seis versões diferentes, mas basta uma consulta rápida pela grande rede para descobrir que desde 1918 a criação de Edgar Rice Burroughs não tem grandes momentos de descanso e são necessárias mais do que duas mãos para se contabilizar nos dedos as suas diversas adaptações.

Presente nos livros, quadrinhos, séries, rádio, tirinhas de jornal, verso de caixas de cereal e fantasias de carnaval o personagem e sua mitologia já estão mais do que incorporados ao imaginário popular. “Mim Tarzan, você Jane” é tão conhecida quanto a tanguinha que cobre as partes pudendas do personagem ou o famoso grito de guerra que eu não saberia reproduzir em uma onomatopeia.

Mas Hollywood nunca está satisfeita e sob a égide de apresentar personagens antigos para uma nova geração de consumidores, o que popularmente chamamos de queimar tudo até a última ponta, mais uma vez sopra a vida nas narinas do glorioso filho das selvas e tenta reinventar o mito em A Lenda de Tarzan (The Legend of Tarzan). Afinal os novinhos precisam saber que ser sensacional na África de meados do séculos XIX era pegar no cipó com jeito e se balançar pelas árvores ao lado dos gorilas para salvar o seu grande amor.

A Lenda de Tarzan

E é basicamente essa a trama do filme. Tarzan (Alexander Skarsgård) vive como um homem civilizado na sofisticada Londres e atende pelo pomposo nome de John Clayton III, Lorde Greystock. Tudo está muito bem na sua vida pacífica até que ele é convidado para ir ao Congo exercendo uma função política qualquer. Ele faz aquele charminho inicial, mas acaba cedendo e indo junto com a esposa Jane Porter (Margot Robbie). Mas tudo faz parte de um grande e diabólico plano do Capitão Rom (Christoph Waltz), que pretende entregar Tarzan para um chefe tribal que quer sua morte e no processo acaba sequestrando Jane.

O filme então segue a velha fórmula do mocinho tentando salvar a mocinha das garras do vilão. Como estamos no século XXI há uma tentativa de fazer com que Jane seja apresentada como uma mulher mais forte e destemida, mas de uma forma geral a personagem se resume a aparecer fazendo caras e bocas para seu salvador enquanto este enfrenta todos os perigos.

A Lenda de Tarzan

A nova versão de Tarzan, por sua vez, é uma montanha de músculos com poderes sobre humanos como super força, super audição, a capacidade de atrair todos os animais imitando seus sons para o acasalamento. Pode parecer pouco, mas garantiria o seu rápido acesso à escola do Professor Xavier. Isso sem contar o super poder de virar um boneco de CGI capaz de saltos impossíveis. Confesso que em determinado momento fiquei em dúvida se o abdômen também era feito em CGI.

Há ainda Samuel L. Jackson repetindo o tipo badass pela milésima vez, mas se tem alguém que realmente sai ganhando com A Lenda de Tarzan, ao que parece, é o diretor David Yates. Isso porque ele consegue se manter na média e preserva a regularidade da sua filmografia ao apresentar mais um filme sem sabor nenhum.

Cotação-2-5

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