CL 5 Anos – Viva o Cinema Brasileiro | O Auto da Compadecida

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O Auto da Compadecida (Guel Arraes, 2000) é um divisor de águas da retomada do cinema nacional, para o bem e para o mal. Foi a primeira minissérie da Rede Globo a ser transformada em longa-metragem e lançada no cinema, fazendo um enorme sucesso. Apesar de incentivar o público a ir ao cinema assistir a um filme brasileiro, estabeleceu também o padrão Globo de qualidade para filmes, que nada mais é do que transpor seu conteúdo televisivo para a tela grande.

A minissérie original (que por sinal se origina da obra de Ariano Suassuna) foi lançada em 1999 e fez muito sucesso. Ali, toda a teatralidade de Suassuna misturada ao estilo do diretor Guel Arraes, que entendem como ninguém a cultura nordestina, criou um clássico. Condensar os quatro capítulos em um filme de menos de duas horas foi o caminho fácil para capitalizar mais e preencher a programação para o público cativo.
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O problema é que muito se perdeu na edição, e a minissérie, que tinha capítulos dentro dos capítulos, acabou ganhando uma edição em que tudo parece corrido demais. É uma grande pena não vermos no filme o capítulo da gata que “descomia” dinheiro. É ou não é?

O que salva, e é o motivo deste filme ser um de nossos homenageados, é o carisma e o talento enorme de seu elenco, além, claro, do enredo ser uma bela exaltação da cultura nordestina, cheia de crenças e causos. A dupla protagonista, os malandros Chicó (Selton Mello) e João Grilo (Matheus Nachtergaele) são tão adoráveis que é impossível não se importar com eles mesmo na edição picotada que deixa de lado muito de seu histórico. Afinal, são dois anti-heróis por excelência, além de serem retratos (bem-humorados) dos filhos da fome nordestina. O brasileiro que sempre dá seu “jeitinho” e é feliz mesmo sendo explorado e ganhando pouco.

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Os personagens secundários também são um show à parte: o casal Dora (Denise Fraga) e Eurico (Diogo Vilela); o corno manso, com sua trama do enterro da cachorra, apesar de deslocada no filme, nunca perde a graça; o padre e o bispo (Rogério Cardoso e Lima Duarte), representando o que a igreja tem de pior, na exploração da fé, desprezo aos pobres e bajulação aos ricos, nada cristãos; o cangaceiro Severino de Aracaju (Marco Nanini), representando o homem marginalizado pelo meio em que cresceu; e, claro, a Compadecida, interpretada com a maestria de sempre por Fernanda Montenegro.

O Auto da Compadecida é, assim, um marco do cinema nacional da retomada por ser uma obra tão genuinamente brasileira em sua forma e conteúdo, por abordar tão bem nossa cultura da fé e representar características dos brasileiros em personagens tão marcantes. É um filme que conversa com todo o tipo de público.

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Assista também:

  • Caramuru – A Invenção do Brasil
  • Cinema, Aspirinas e Urubus
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