BoJack Horseman – 3ª Temporada | Review

Se eu fosse imaginar uma série que me fizesse rir num segundo e no outro me deixar na bad, provavelmente não seria uma série animada, cheia de personagens antropomórficos que retratam o mundo das celebridades de Hollywood regada a sexo, drogas e futilidades.

Entretanto, BoJack Horseman é capaz de juntar todos esses temas e contar uma história profunda, sombria e ainda assim, cheia de trocadilhos para todos os cantos (alguns você certamente nem vai perceber). Essa transição entre o humor e a tragédia é feita de maneira bem magistral, embora certos momentos da temporada seja comparado a levar um soco no estômago.

BoJack_Horseman_S03E02

Comparado às duas temporadas anteriores, esse terceiro ano de BoJack não é tão repleto de cenas cômicas. Isso não significa, no entanto, que você irá rir menos, mas existe uma preocupação dos roteiristas em aprofundar ainda mais cada nuance da personalidade dos personagens. Assim, alguns episódios são dedicados quase que exclusivamente a um evento, como em Brrap Brrap Pew Pew que trata acerca da pressão interna e externa de alguém que decide abortar uma gravidez, ou ainda em Best Thing That Ever Happened em que é possível termos uma visão melhor da história pela perspectiva e sonhos de Princess Carolyn.

A história de fundo dessa temporada se baseia na corrida de BoJack para conseguir uma indicação ao Oscar pela sua “atuação” na cinebiografia de Secretariat, um filme no qual ele sequer participou, e todas as suas cenas foram criadas digitalmente. O plot retrata bem a superimportância que uma premiação de cinema tem em nossa sociedade, o prêmio deixa de ser pela melhor atuação e, em diversos casos, passa a ser pela melhor campanha, melhor marketing e pelo controle de possíveis problemas. Ana Spanakopita (Angela Bassett) a publicista do cavalo controla suas entrevistas, seus passos e até “dá um jeito” em quem pode revelar a farsa por trás do filme.

BoJack_Horseman_S03E07

Além disso, temos a visão ambígua do personagem em relação à sua indicação, embora ele tenha consciência de que não a merece, BoJack ainda assim faz de tudo para que possa ser reconhecido e amado pelo público/crítica. É uma forma que ele encontrou de ser feliz, colocar um objetivo quase impossível à sua frente: “Se eu ganhar um Oscar eu serei lembrado. E então minha vida terá um sentido” ele diz logo no primeiro episódio, até chegarmos ao momento em que ele recebe a indicação (ou acredita ter recebido) e diz: “Eu me sinto… igual”.

O bom de ver a série já bem confortável com seus personagens e com o rumo que está andando, é poder ver as experimentações e liberdades que ela toma, como por exemplo o episódio Fish Out Of Water, que funciona basicamente como um filme mudo, ou ainda o episódio do aborto em que temos uma música com a letra mais impoliticamente correta do mundo: “Pega o feto, mata o feto, pega o feto, mata o feto. Brrap Brrap Pew Pew”. Você certamente não ouviria uma coisa dessas na TV aberta.

BoJack (a série) nunca foi de apostar em soluções óbvias, em nenhum episódio há aquela segurança de que as coisas terão um final feliz, e isso fica bem claro no oitavo episódio “Old Acquaintance”, em um determinado momento uma dupla que compete um papel em um filme contra Princess Carolyn e BoJack diz: “Sei que vamos conseguir porque nós somos os mocinhos”. A mensagem clara é, finais felizes não existem, é tudo uma questão de perspectiva. O episódio inteiro torcemos por Princess Carolyn porque temos uma conexão emocional com a personagem, mas se formos perceber pelo episódio, todas as artimanhas dela serviram para machucar alguém, desde a secretária até a negligência como tratou a sequência de Horsin’ Around.

BoJack_Horseman_S03E03

Quanto aos personagens secundários, a série continua sabendo dar o devido tratamento, mesmo o Todd que sempre fica com uns plots apagados consegue um character development acerca de sua sexualidade. Mr. Peanutbutter e Diane também conseguem destaque com discussões acerca da vida/morte e da efemeridade das coisas que acontecem ao nosso redor. Tudo isso fez com que eu achasse essa a melhor temporada da série até aqui, soube mostrar que nem sempre o fundo do poço é o pior da sua vida.

  • Ótima notícia para os fãs da série, a Netflix já renovou a série para a quarta temporada.
  • “Eu não quero renascer, ainda estou me recuperando do meu primeiro nascimento”. Eu também, BoJack.
  • O episódio passado em 2007 trouxe mais referências do que pude pegar (Krill & Grace e The Pig Bang Theory foram alguns), mas o destaque mesmo ficou pros créditos finais: “Back in 07/I was in an unsuccessful TV show/ I’m Bojack the horse (Goddamn)/What the hell was I thinking, bro?/When you’re an artist, yeah, its hard to play it safe/That show stumbled hard right out the starting gate/Wonder if I’m ever gonna get another chance/Maybe a listicle at best/ Yeah, I’m not a horse, I’m an ass. (BoJack!)”.
  • Baleias strippers, somente em BoJack Horseman mesmo.
  • O negócio iniciado por Todd e Mr. Peanutbutter tratou de maneira implícita a tomada de protagonismo em relação ao movimento feminista pra série. Embora não tenha tido um destaque nessa temporada, serviu como uma boa abordagem do tema.
  • “It’s a boy  borted
  • O episódio final me pareceu um pouco corrido, talvez se não se preocupassem tanto em deixar pontas soltas pra próxima temporada ele tivesse tido uma conclusão mais enxuta. Acho que essa temporada foi a que quotes mais sinceros e profundos, separei alguns:
    • Um dia você vai olhar ao seu redor e vai perceber que todos te amam, mas ninguém gosta de você. E esse é o sentimento mais solitário do mundo. – BoJack Horseman
    • Toda a ideia de controle é um mito. O universo é um animal selvagem, você não pode domá-lo. Tudo que você pode fazer é tentar viver dentro dele. – BoJack Horseman
    • Você sabe que eu não sei fazer direito esse negócio de amar. Você acaba machucando alguém ou sendo machucado, enquanto qual é o sentido? Eu amo você, digo, tanto quanto eu consigo amar alguém, pelo menos, o que nunca é o suficiente. Me desculpe. – BoJack Horseman
    • Você não pode continuar fazendo isso. Não pode continuar fazendo essas merdas e depois se sentir mal como se isso melhorasse as coisas. Você precisa melhorar. Você é todas as coisas ruins que existem com você. Não é o álcool, não são as drogas ou qualquer outra merda que aconteceu com sua carreira ou quando você era criança. É você, ok? É você. Porra, o que mais tem pra ser dito? – Todd em seu melhor momento na série.
    • No meu primeiro dia de treinamento de salva-vidas, meu instrutor me disse: “Algumas vezes você vai ver alguém se afogando. Você vai querer se apressar e fazer todo o possível pra salvá-la, mas você tem que se segurar. Porque existem algumas pessoas que não podem ser salvas, essas pessoas irão se debater e tentar te afogar junto com elas”. – Ana Spanakopita
  • Se você também achou que a cena final casou muito bem com a voz de Nina Sinome, aqui vai a versão ao vivo da música Stars.

One comment

  1. Faltou apenas destacar a suposta filha dele do episódio final. Talvez ela seja o salvamento do BoJack, preenchendo o vazio deixando pela Sarah Lynn, ou, é o que apenas falta para acabar se matando.

    Curtir

Deixe seu comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s