Cinelogin 5 anos – Viva o Cinema Brasileiro!

cinema_brasileiro“Filme brasileiro é tudo porcaria.” “Só palavrão e putaria.” “Os argentinos estão muito na nossa frente.” Se você é brasileiro, com certeza já ouviu (ou até já disse) uma dessas frases sobre o nosso cinema. Parece ser um ponto comum para nós que a grande maioria dos filmes nacionais não chega aos pés de muitas das coisas feitas lá fora.

Se isso é verdade, porém, ninguém contou para o cineasta e escritor Mário Peixoto, que lá em 1931 colocou nossa produção pela primeira vez no mapa do cinema mundial, com o filme experimental Limite. O longa mudo de quase duas horas teve poucas exibições na época, é verdade, mas ganhou admiradores do naipe do cineasta russo Sergei Eisenstein.

Era talvez um prenúncio do descaso que temos com nosso próprio cinema o fato de o filme ter ficado quase 50 anos longe das telas. Só voltou a ser exibido em 1978, em uma versão restaurada. Hoje, é considerado uma grande obra-prima e um dos maiores filmes brasileiros da história.

cinema_brasileiro5Também não falaram da pouca qualidade de nossos filmes aos pioneiros da industrialização do cinema brasileiro, que, inspirados pelo modelo de Hollywood, criaram na década de 40 a companhia Vera Cruz, em São Paulo, e a Atlântida, no Rio. A Vera Cruz durou pouco, mas não sem antes produzir o primeiro grande sucesso do Brasil no mercado internacional: o longa O Cangaceiro, de Lima Barreto.

Outra aposta incontestável da produtora foi o comediante paulista Mazzaropi, que ajudou a materializar a figura do caipira folgado e adorável e foi responsável por grandes filas em frente aos nossos cinemas na época. A Atlântida, que fazia um cinema mais barato e de tradição popular, com filmes que ficaram conhecidos como chanchadas, acabou tendo destino semelhante ao da Vera Cruz.

Não disseram também a Glauber Rocha, nem a Nelson Pereira dos Santos, nem a Cacá Diegues, que teimaram em fundar um dos movimentos mais importantes do cinema mundial, angariando prêmios em festivais, atraindo a atenção internacional para o Brasil mais de duas décadas depois de Limite e criando alguns longas hoje clássicos como Rio, 40 Graus e Deus e o Diabo na Terra do Sol.

cinema_brasileiro2Talvez alguém tenha soprado no ouvido do general Costa e Silva e de outros da época ou imediatamente posteriores à ditadura, sobre a inadequação de nossos filmes, porque foram eles que patrocinaram o período mais negro da história do cinema brasileiro. Depois de reprimidos os cinemas novo e marginal, é provável que a frase que abre este texto de fato possa ser aplicada à segunda metade da ditadura e à Era Collor, nas quais se observou o definhamento da produção nacional.

O cinema brasileiro descolou-se quase inteiramente do mercado, a ponto de um único filme feito aqui (mas, curiosamente, falado em inglês) chegar às telas em 1992, último ano do governo Collor, após a extinção de todo e qualquer incentivo à produção nacional. O período mostrou-se tão ruim que foi preciso uma Retomada para ser superado.

Walter Salles e Fernando Meirelles também jamais deram bola à tal baixa qualidade do cinema brasileiro. Com Central do Brasil e Cidade de Deus, voltaram a colocar o país em grande escala no panorama internacional. E todos nós sentimos o coração apertar quando Fernanda Montenegro perdeu o Oscar para Gwyneth Paltrow, 37 anos depois de nossa primeira indicação ao prêmio, com O Pagador de Promessas.

Também se esqueceram de falar da nossa mediocridade aos cineastas pernambucanos, que vêm reinventando o cinema brasileiro nos últimos anos com filmes como O Som ao Redor, Amarelo Manga, Tatuagem, Doméstica, entre muitos outros.

cinema_brasileiro3Não é que não existam filmes brasileiros “porcarias”. Existem sim, assim como existem filme razoáveis, bons, excelentes ou maravilhosos. O que devíamos ter aprendido ao longo de todas estas décadas de filmes brasileiros é que é praticamente impossível definir nosso cinema em poucas palavras ou identificá-lo com um único “gênero”. Houve uma tentativa nesse sentido, é verdade, após o estrondoso sucesso de Cidade de Deus, com o “cinema de favela”. Ao que parece, não foi para a frente.

Os que fizeram e fazem nosso cinema melhor, no entanto, são aqueles que não dão a mínima para as críticas infundadas e generalizadoras. Estas existem há muito e certamente continuarão existindo.

Foi pensando nisso que, para celebrar os cinco anos de existência do Cinelogin, decidimos fazer uma justa homenagem ao cinema brasileiro. Ao longo desta semana, cada um de nossos editores analisará um filme nacional importante.

Como você vai perceber, os temas e gêneros são variados, em uma referência um pouco acidental a essa tal diversidade do nosso cinema.

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