Stranger Things – 1ª Temporada | Review

É praticamente impossível você assistir a qualquer episódio de “Stranger Things” sem sacar algum tipo de referência a um filme ambientado na década de 80. Seja “E.T. – Extraterrestre”, “Os Gonnies”, ou o mais recente “Super8”, a série consegue ser uma bela homenagem à década oitentista e ainda assim caminhar com as próprias pernas, possuindo uma formação própria e identitária, passando bem longe de ser apenas uma colagem dos filmes citados.

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A série gira em torno do estranho desaparecimento do menino Will Byers, sua mãe, (a excelente Winona Ryder) pede às autoridades locais o início das investigações do desaparecimento, que começa a revelar uma série de mistérios envolvendo experimentos ultrassecretos do governo, forças sobrenaturais aterrorizantes e o aparecimento da menina Onze (apelidada apenas de On, sim, faz mais sentido em inglês).

Além da ambientação bastante precisa, o destaque de toda a temporada fica por conta do elenco mirim, escolhido a dedo. É impressionante ver a jovem Millie Bobby Brown atuando como On, as expressões tímidas, os olhares intimidadores e assustados, tudo isso colabora para que ela seja a grande revelação da obra. Igualmente interessante sãos os meninos Mike (Finn Wolfhard), Dustin (Gaten Matarazzo), e Lucas (Caleb McLaughlin), os três amigos nerds de Will que embarcam em uma aventura junto com Onze no resgate do amigo.

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Em diversos momentos a inocência da infância é retratada de maneira simples, como quando os meninos se apavoram quando a menina On tenta trocar de roupa na frente deles ou ainda quando um personagem acredita poder atacar alguém com um estilingue. Esses momentos dão um ar cômico, mesmo que contrastando com um iminente perigo. As diversas referências a Star Wars, Senhor dos Anéis e a super-heróis, também ajudam nesse sentido.

Mesmo apostando em diversos clichês, que vão desde a jovem inteligente que se envolve com o rebelde popular da escola, passando pelos típicos bullies que agem sem uma razão, a série arruma uma forma de tornar todos aqueles personagens úteis em algum momento, evitando assim deixar pontos soltos ou ter que optar por soluções apressadas ou inverossímeis.

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Apesar disso, eu provavelmente estou na contramão aqui, mas acho que a história teria funcionado melhor caso fosse uma minissérie, um longo filme dividido em 8 partes. O conteúdo não é abrangente o suficiente pra justificar uma outra temporada sem que repetições e queda de qualidade comecem a se tornar uma constante nos episódios. Porém, a segunda temporada já foi confirmada pelo ator Matthew Modine (o Dr. Brenner), e a própria série já deixa algumas pistas do que a sequência tratará, e isso quebrou um pouco o clima na season finale pra mim.

Trilha sonora:

Outro grande destaque é a trilha sonora, desde a musiquinha de fliperama que toca na abertura, até as bandas de rock que permeiam a temporada inteira:

  • No primeiro episódio a banda Jefferson Airplane emplaca duas músicas: “She Has Funny Cars“, quando a Onze entra no restaurante, e “White Rabbit“, quando os federais aparecem atrás da Onze.
  • No segundo episódio “Should I Stay or Should I Go toca em dois momentos, quando Joyce entra do quarto do filho Will, e no flashback em que Jonathan apresenta a banda para o irmão.
  • A música que toca durante a cena de ataque da Barbara, também no episódio 2, é da banda “The Bangles”, e se chama Hazy Shade of Winter.
  • A cena de abertura do episódio 4, com Nancy é da banda Foreigner, “Waiting for a Girl Like You. Mais tarde, quando descobrem um corpo na predeira, a música é Heroes, de Peter Gabriel.
  • Elegiaé a música que toca no funeral de Will no quinto episódio. No mesmo episódio, os créditos finais são embalados pela música Nocturnal Me.
  • No momento em que Nancy e Jonathan compram materiais para a emboscada, a música ao fundo é The Bargain Store“, interpretada  por Dolly Parton.
  • No penúltimo episódio, no momento em que as crianças revelam sobre o Mundo de Ponta Cabeças, ouvimos o instrumental Fields of Coral. Aliás, o filme que o professor está assistindo com a namorada é “O Enigma de outro Mundo“, de 1982, cujo poster aparece algumas vezes durante a série.
  • Por fim, na season finale, toca a música When It’s Cold I’d Like to Die, por Moby.

2 comments

  1. Alguém sabe qual a música do sexto episódio? rola no momento em que a mãe da Nancy abre a porta do quarto com um grampo de cabelo, mas ela havia fugido com Jonathan pela janela….

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