Porta dos Fundos: Contrato Vitalício | Crítica

contrato_vitalicioOs vídeos pelos quais o grupo de humor Porta dos Fundos ficou conhecido na internet têm uma estrutura muito bem estabelecida. Em geral, se iniciam como uma cena cotidiana. De repente, um dos personagens começa a agir de forma estranha, e o estranhamento vai se desenvolvendo até chegar ao máximo do absurdo.

Claro que o absurdo é bastante importante dentro dessa fórmula, mas um personagem em especial, apesar de aparentemente apagado, costuma ser o maior responsável por evocar o riso do público. Os roteiristas tomam o cuidado de sempre colocar em cena alguém que não está por dentro da piada quase na mesma medida que o público. Ele funciona como os nossos olhos dentro da tela, e são suas reações que nos ajudam a dar conta da graça daquilo que está acontecendo. Para efeito de maior praticidade, vou chamá-lo “o inocente”.

Em Porta dos Fundos: Contrato Vitalício, Rodrigo (Fábio Porchat) é o inocente. Ele é uma figura necessária aqui porque o filme, apesar de sua 1h40 de duração, funciona como uma esquete do grupo, só que extremamente esticada.

contrato_vitalicio2A história é a seguinte: Em Cannes pela primeira vez com seu melhor amigo e diretor de seu longa, Miguel (Gregório Duvivier), Rodrigo se exalta após a premiação e assina um contrato em que se compromete a participar de todos os filmes dirigidos posteriormente pelo cineasta (o tal contrato vitalício, é claro).

O problema é que Miguel desaparece após uma ida ao banheiro e não é mais encontrado. Dez anos após o ocorrido, Rodrigo é um ator de grande sucesso graças a uma série de comédias meio imbecis no estilo Se Eu Fosse Você.

Retornando a Cannes, desta vez como jurado, ele finalmente reencontra Miguel, que tem uma ideia para um novo filme, baseado em suas experiências ao longo da década em que esteve desaparecido. A partir daí, as coisas começam a tomar um rumo cada vez mais estranho para a vida e a carreira de Rodrigo.

contrato_vitalicio3Para desenvolver o filme, a trupe de comediantes parece ter optado pelo formato de matriosca (aquelas bonecas russas que ficam umas dentro das outras), com uma estrutura grande para sua esquete principal e várias pequenas cenas humorísticas cotidianas dentro dela.

O problema disso está no próprio sucesso do Porta dos Fundos, que estabeleceu um formato rápido e cheio de sacadas bem pensadas. Um filme não funciona assim e, por mais que o grupo tente levar a mesma energia à telona da maneira mais fiel possível, o resultado é cambaleante.

Para começar, a história maior não é das melhores, talvez porque foge demais de experiências cotidianas, causando um certo distanciamento dos espectadores. Por outro lado, há momentos pontuais que funcionam bem (como a hilária referência a um dos grandes filmes do cinema brasileiro), o que aponta, pois é, para a conexão da trupe com o humor mais rápido e curto.

contrato_vitalicio4No final, o filme remete um pouco a Entre Abelhas, a boa comédia dramática do cineasta Ian SBF, também protagonizada por Porchat. O problema é que, diferentemente do outro filme, aqui ninguém parece querer fazer concessões. E assistir a um vídeo do Porta dos Fundos estendido está longe de ser tão engraçado quanto ver o original.

Contrato Vitalício se salva porque Porchat faz bem o tal papel de inocente (e xinga e fala palavrões com tanta desenvoltura que dá até graça de ouvir) e por causa de cenas isoladas que duram apenas alguns poucos minutos e são de fato engraçadas. A longo prazo, no entanto, a narrativa não diz a que veio e a tentativa de dar alguma seriedade à jornada é mais patética do que realmente significativa.

Cotação-2-5contrato-cartazPorta dos Fundos: Contrato Vitalício (idem)

Gênero: Comédia

Direção: Ian SBF

Roteiro: Gabriel Esteves, Fábio Porchat, Ian SBF

Elenco: Fábio Porchat, Gregório Duvivier, Anitta, Naldo Benny, João Vicente de Castro, Marília Gabriela, Luis Lobianco, Thati Lopes, Sergio Mallandro, Xuxa Meneghel, Rafael Portugal, Júlia Rabello, Nelson Rubens, Antonio Tabet, Gabriel Totoro, Marcos Veras

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