Independence Day: O Ressurgimento | Crítica

Independence Day O Ressurgimento

Quando o assunto é Independence Day, gosto de lembrar das observações de um camarada meu para justificar o sucesso do filme, algo como uma conjunção de fatores e um alinhamento das órbitas dos planetas. É claro que na prática o filme funciona graças aos efeitos bacanas, um roteiro amarradinho, ao carisma e química dos seus protagonistas e à novidade de naves gigantescas explodindo locais históricos.

E depois de destruir o mundo mais algumas vezes em meia dúzia de filmes, o nosso glorioso Roland Emmerich, cansado de repetir a forma dos filmes catástrofes em genéricos do seu próprio Independence Day, decidiu retornar à sua melhor criação e, vinte anos depois, nos apresenta Independence Day: O Ressurgimento.

O espectador mais cascudo e vacinado contra as artimanhas nefastas e mercadológicas de Hollywood rapidamente torce o nariz quando o assunto são continuações tardias. Sabe ele que o preço de reviver a nostalgia é muito caro e não raro os sonhos se desmantelam na tela sem a menor cerimônia (vide de Duro de Matar 4, Rambo 4, Indiana Jones 4, Star Wars 7…).

E Emmerich se mostra pouco preocupado em preservar a memória do clássico. Na verdade, logo no primeiro plano, quando o empolgante discurso do presidente de Bill Pullman é interrompido já sabemos que essa será a tônica do filme.

Independence Day O Ressurgimento

É até louvável esse aceno para o futuro e a ambição óbvia de virar franquia, mas na prática Emmerich oferece muito pouco de novidade e se prende em repetir a fórmula do filme anterior, mergulhando na autorreferência (mais uma vez os aliens explodem monumentos históricos) e na autoparódia (os personagens fazem observações sobre o interesse dos aliens em destruir monumentos históricos).

A trama de Independence Day: O Ressurgimento se passa 20 anos após o ataque alienígena. A humanidade está mais unida e evoluiu com a ajuda da tecnologia extraterrestre, com novas armas e veículos. No entanto, uma gigantesca nave chega novamente à Terra e o recado é claro: os aliens querem vingança.

Esse é o pretexto perfeito para se pôr em prática a megalomania típica do diretor. O que resulta em pouca preocupação com o roteiro e maior dedicação à ação. As explosões e proporções crescem (a nave agora é tão grande que possui sua própria gravidade) na medida inversa em que os personagens são desenvolvidos. Basta reparar que o personagem de Will Smith (o ator não topou participar da sequência) é substituído, sem grandes alardes, por um trio de jovens que está muito longe de conseguir carregar um filme só no carisma.

Independence Day O Ressurgimento

O que nos leva a Jeff Goldblum, único que mantém a dignidade do seu personagem e consegue empregar algum valor à história, mesmo que lá pelas tantas lhe enfiem goela abaixo um interesse romântico totalmente deslocado.

Há basicamente dois tipos de público para Independence Day: O Ressurgimento: os que gostam do filme original e os que não viram ou não se importam com o filme original. No meu caso, fã incondicional do filme de 96, encaro essas duas horas de reencontro com Independence Day e todo o seu universo como uma espécie de exercício de tolerância. No mais, ficou longe do sabor de ressurgimento e muito mais próximo do sabor de penitência.

Cotação-2-5

Independence Day: O Ressurgimento (Independence Day: Resurgence)

Gênero: Aventura, Ação

Duração: 120 minutos

independenceday-cartazDireção: Roland Emmerich

Roteiro: Roland Emmerich, James Vanderbilt, Dean Devlin, James A. Woods, Nicolas Wright

Elenco: Liam Hemsworth, Jeff Goldblum, Charlotte Gainsbourg, Bill Pullman, Maika Monroe, Joey King, William Fichtner, Vivica A. Fox, Sela Ward, Brent Spiner, Judd Hirsch, Jessie T. Usher, Ryan Cartwright, Mckenna Grace, Patrick St. Sprit, Angelababy, Deobia Oparei, Nicolas Wright, Travis Tope, Chin Han, John Storey

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