Como Eu Era Antes de Você | Crítica

Atenção: A crítica a seguir pode conter informações consideradas spoilers.

A principal fala tanto do filme Como Eu Era Antes de Você, quanto do livro do qual é adaptado é “viva intensamente, supere seus limites e não se acomode”. Paradoxalmente, o filme tem uma visão bem pessimista sobre a vida de alguém com paralisia, mesmo que esta pessoa tenha todos os recursos possíveis para se adaptar à nova condição.

Por este motivo o filme foi bastante criticado mesmo antes de sua estreia por organizações de portadores de paralisia, além do fato de o personagem em questão ser interpretado por um ator não portador, mas isso, sinceramente, neste caso não acho necessário, pois além de mostrarem o personagem antes do acidente, para vermos o quanto ele tinha uma vida ativa, o papel do ator não deve se limitar somente ao que ele é. Isso não significa  que o cinema não precise se abrir à diversidade.

Em Como Eu Era Antes de Você, uma garota, Louisa (Emilia Clarke) que vive numa charmosíssima cidade interiorana da Inglaterra (que tem até um castelo medieval) perde o emprego no café onde trabalhava há seis anos e percebemos na breve e sutil sequência que ela tem o dom de cuidar das pessoas. Com o pai desempregado, ela corre atrás de outro trabalho e encontra como cuidadora de um homem tetraplégico (Sam Clafflin). Como ela consegue o emprego mesmo sem nenhuma experiência e se mostrando totalmente desastrada na entrevista com a mãe do rapaz é um mistério, mas que pouco importa, afinal já vimos isso em dezenas de outras comédias românticas.

Louisa é a típica “manic pixie dream girl“, a garota fofa, sempre animada, que se veste de maneira excêntrica (neste caso em específico, bem exagerada), que tem uma sensualidade sutil e vive para ensinar ao homem a abraçar a vida e seus mistérios e aventuras. É uma personagem rasa, imatura, o ideal de mulher perfeita de roteiristas de comédias românticas, mas que não existe na vida real. O que entristece é que tanto o livro quanto o filme foram escritos por uma mulher, Jojo Moyers, e isso nos lembra o quanto a mulher ainda está presa ao ideal feminino criado pelo patriarcado.

Louisa abriu mão da faculdade não se sabe bem por quê (talvez para ajudar o pai desempregado), e decide, após saber que Will pretende fazer eutanásia, que seus últimos seis meses serão vividos com intensidade e o fará desistir do ato extremo. Essa ideia sequer parte dela! Mas ok, seguimos com isso, temos várias sequências engraçadinhas e romantiquinhas, e claro que os dois se apaixonam. Will é amargo e rude com ela no começo, mas basta ela fazer biquinho e questionar por que ele é tão chato que ele muda.

E é assim, com soluções fáceis e uma sucessão de clichês, que o filme encanta os apreciadores de romances água-com-açúcar, até sermos lembrados de um tema obscuro diluído em toda esta doçura, e é aí que o filme deixa de ser uma história de superação e uma visão otimista da vida, como em Intocáveis (quem não gosta daquele filme?), para passar a mensagem de que a morte é melhor do que viver “sem ser 100% você”. E o filme não se importa nem em problematizar este assunto tão polêmico, ou nos fazer compreender a decisão de Will mesmo após a transformação que Louisa faz em sua vida. Enfim, mesmo sendo uma decisão que deva ser respeitada, não ajuda em nada a quebrar preconceitos.

Cotação-2-5

Como Eu Era Antes de Você (Me Before You)

cartaz_como eu eraGênero: Drama romântico

Duração: 110 minutos

Direção: Thea Sharrock

Elenco: Emilia Clarke, Sam Claflin, Janet McTeer, Vanessa Kirby, Pablo Raybould, Brendan Coyle, Matthew Lewis, Charles Dance

 

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