Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos | Crítica

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Algumas semanas atrás, escrevi sobre as dificuldades de se adaptar um jogo de vídeo game para o cinema. Foi durante uma crítica não muito boa sobre Angry Birds: O Filme (por sinal, um filme também não muito bom).

A ideia era que a jogabilidade do game original seria quase impossível de ser levada às telas, o que deixaria ao cineasta duas opções: conformar-se com o filme inevitavelmente medíocre que sairia dali ou optar por uma adaptação mais livre do material original.

Poucas indústrias de cinema são tão atraídas pela mediocridade quanto Hollywood, com exceção, talvez, de sua contraparte indiana, a prolífica Bollywood (por razões culturais que não vem ao caso citar aqui). Isso, é claro, faz com que a opção seja quase sempre pelo caminho mais óbvio, mais fácil e mais esquecível: a tal adaptação “fiel”.

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E sim, temos muitos exemplos ruins, como Príncipe da Pérsia ou Max Payne, mas também os há do outro lado. O que me vem à mente agora é a adaptação horrenda de Mario Bros, mas certamente existem outras.

Dentro deste nicho, no entanto, têm surgido coisas ainda mais curiosas, como as adaptações de games sem um enredo central. Alguns exemplos são Battleship (quem nunca sonhou em ver um filme baseado em Batalha Naval?), Angry Birds e este Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos. Todos também devidamente péssimos. Mas por quê?

Warcraft é, em sua essência, algo bastante próximo do universo criado por Tolkien, que já nos deu a excelente trilogia cinematográfica Senhor dos Anéis. O problema é que o filme está mais para a trilogia O Hobbit. Até bem pior que isso, na verdade.

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A história é uma prequel do jogo, que busca explicar a inimizade que existe entre orcs e humanos. O longa acompanha as hordas de orcs que invadem o mundo dos humanos depois que o seu foi dizimado por uma doença misteriosa chamada de Vileza (o nome não deixa espaço para dúvidas, ela é cruel). Sob o controle do líder dos orcs, o claramente maquiavélico Gul’dan (Daniel Wu), a Vileza é utilizada para manter um portal aberto entre os dois mundos, às custas das mortes de milhares de inocentes, com as quais, aliás, ninguém parece se preocupar muito a fundo.

O diretor Duncan Jones mostra uma preocupação admirável em humanizar os orcs, seja colocando seu protagonista Durotan (Toby Kebbell) em sequências naturalmente sentimentais, seja invertendo com os humanos a primazia da língua inglesa (estratégia interessante que talvez seja o ponto mais alto do filme). Não tão admirável, porém, é o fato de que eles são em geral seres burros, a ponto de não perceberem que estão seguindo o mal encarnado, e também sanguinolentos além da conta.

Do lado humano, a coisa é ainda pior, com um protagonista (Travis Fimmel) e coadjuvantes sem carisma algum, embora Ben Foster esteja engraçado ao interpretar um mago poderoso como se fosse uma estrela do rock de ressaca. Isso sem contar a meio-humana, meio-orc de Paula Patton, que vive uma das histórias de amor mais pífias do cinema recente e literalmente não faz diferença alguma para o conflito principal.

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Tudo isto se mistura em um roteiro atropelado e bastante mal resolvido, que parece mais preocupado em fazer referências ao game original (Jones é um grande fã do jogo, o que pode sim ser um problema) do que em funcionar como uma história coesa. Visualmente, no fim das contas, é tanto CGI que você se pergunta se em algum ponto os atores interagiram com cenários que não fossem uma tela verde ou se ao menos gravaram juntos alguma cena (a julgar pela química entre eles, a resposta mais provável é não).

É provável que filmes como este não sejam ruins por serem adaptações de jogos, mas porque as cabeças pensantes por trás deles não dão a devida atenção a detalhes como um bom roteiro, personagens cativantes ou uma direção que não seja meramente burocrática. Afinal, é fácil botar a culpa nos games e considerar o “gênero” amaldiçoado. Um bom filme depende de talento e, é sempre importante lembrar, pode vir de qualquer lugar.

Cotação-1-5

cartaz_warcraftWarcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos (Warcraft)

Direção: Duncan Jones

Roteiro: Duncan Jones, Charles Leavitt

Duração: 123 minutos

Gênero: Ação, Aventura, Fantasia

Elenco: Travis Fimmel, Paula Patton, Ben Foster, Dominic Cooper, Toby Kebbell, Ben Schnetzer, Robert Kazinsky, Clancy Brown, Daniel Wu, Ruth Negga, Anna Galvin, Callum Keith Rennie, Burkely Duffield, Ryan Robbins, Dean Redman

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